Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Edward Mãos De Derrame

Essa quem me contou foi um amigo:


Eis que o sujeito era um motorista de ambulância, e como acontece ocasionalmente com todos os motoristas de ambulância, estava precisando de um corte de cabelo no capricho. Sentado na cadeira do cabeleireiro, coberto pela tradicional capa para proteger seu uniforme de motorista de ambulância dos fios de cabelo rejeitados, nosso amigo relaxava enquanto deixava o profissional das tesouras fazer o serviço. Corta aqui, corta ali, picota acolá, e, de repente, mais do que de repente, assustadoramente, o cabeleireiro começa a pender para a esquerda, esbugalhar os olhos, prostra-se e desaba ao chão, tal qual o Cristo Redentor no filme “2010”, toda a cena acompanhada pelo espelho em frente aos dois.

Assustado com a situação, mas sem deixar o seu profissionalismo de lado, o cliente levantou-se mesmo com capa, corte de cabelo mal-acabado, e um fio de cabelo daqueles que teimam em cair na face ou no olho que a gente tenta inutilmente soprar pra longe, e rapidamente socorreu o pobre cabeleireiro desfalecido, jogando-o dentro de sua ambulância e levando-o ao hospital mais próximo.

O cabeleireiro foi atendido e, felizmente, salvo. O diagnóstico foi de um derrame, que se não tivesse sido prontamente socorrido poderia ter lhe causado a morte.

Isso que é um cliente certo na hora certa. Acho que nosso amigo motorista nunca mais vai precisar pagar por um corte de cabelo (ou pelo menos por um período de tempo).

Terça-feira, Janeiro 12, 2010

Pequenas Merdas da Vida

Tem coisas que só acontecem comigo, definitivamente. Um dia desses, no escritório, o diretor me chama ao seu gabinete para tratar de um assunto de certa urgência. Sabendo do que se tratava, apressei-me em direção à sua sala, e ao passar pela porta da sala de espera consegui a proeza de bater com força o antebraço na maçaneta. Mais precisamente aquela partezinha mole do antebraço (que já anda deveras flácido ultimamente), bem na ponta da maçaneta em formato de alavanca. Elegantemente, segurei o impulso de gritar “filho da #%&*, que dor!!”, com um discreto torcer de lábios, juntamente com 53 músculos faciais, e fiquei disfarçando a dor agonizante de um “tostão” no antebraço durante todo o tempo em que conversava com o chefe, mal prestando atenção no que ele dizia, enquanto massageava a área impactada lenta e disfarçadamente debaixo da mesa.

Mais legal foi o que me aconteceu no dia 24 de dezembro: Véspera de natal, todo aquele clima prévio à ceia, todo mundo vestido pra morrer, e lá fui eu viajar 34 km para buscar minha namorada em uma cidade vizinha. A noite estava muito boa, até que, absolutamente do nada, uma pancada de chuva torrencial desabou sobre o meu pobre Gol. No caminho de volta à minha cidade, já acompanhado da minha cara-metade, tive a felicidade de acertar um buraco na estrada que detonou com um pneu meio careca, e me fez protagonizar a cena de trocar o pneu, todo bem-vestido, e atrasado pra ceia de natal. Acabei sujando o carro e ficando eu também sujo e suado, maravilha! Pelo menos já não chovia mais, embora o mormaço causado pela chuva levantasse do asfalto, me dando a sensação de estar em uma sauna. Uma beleza.

Pra terminar as pequenas merdas da vida, passei o dia no trabalho sem internet, devido a um raio que queimou o servidor. Sem ter acesso a rede mundial dos computadores, não podia fazer muita coisa, senão tentar me distrair. Pensei então em olhar o conteúdo do meu HD externo que sempre trago comigo, recheado de coisas interessantes, e aí percebi que exatamente neste dia eu havia me esquecido de trazê-lo comigo. Podia ter acontecido em qualquer dia. Aconteceu justamente no dia em que eu precisava.

Isso tudo sem falar na virada do ano, quando eu comi demais e bebi demais, e quase não consegui dormir sentindo pontadas e ameaças de ataques fulminantes. Belo começo de ano.

Ultimamente eu tenho percebido que existe uma lei mais certa do que a Lei da Gravidade: a Lei de Murphy. Se eu pego o desgraçado que inventou isso...

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Vini E As Botas


Vou contar uma pequena história de uma pessoa que eu conheço. Geralmente não nos damos conta, mas pessoas ordinárias podem, sem perceber, protagonizar histórias simples e ao mesmo tempo extraordinárias. Essa eu acho bem bacana, e compartilho com vocês, leitorinhos:

O Vini é uma figura peculiar, um cara que ficou meu amigo no colégio e que, mesmo depois de algum tempo sem contato, parecia que havíamos recém conversado quando o reencontrei, de surpresa, na empresa onde eu aguardava por uma entrevista de emprego. Nem sabia que ele trabalhava lá, e foi bacana saber que poderíamos ser colegas novamente.

Felizmente, consegui o emprego, e foi então que fiquei sabendo da história do Vini dentro da empresa. Quando ele foi entrevistado disseram-lhe que não havia vagas no escritório, e que ele só poderia trabalhar se fosse “pegando no pesado”, ao que ele respondeu que apenas queria trabalhar, não importasse como, nem que tivesse que “quebrar pedra sob o sol”. Com essa atitude, obviamente foi admitido, e trabalhando pesado ele foi durante meses.

Devido ao local de trabalho ser uma obra, todos os colaboradores deviam usar EPI (equipamento de proteção individual), que consiste basicamente em capacete, óculos, protetor auricular e... um par de botas. Um belo par de pesadas botas desconfortáveis, as quais Vini engraxava e lustrava cuidadosamente todos os dias. Por conta de seu cuidado e atenção para com as botas, virou motivo de troça entre seus colegas, que diziam entre risadas em tom jocoso: “acha que está trabalhando no escritório é?”, ao que Vini respondia: “quem sabe um dia...”

Ele não levava as piadas a sério, e seguia com seu costume de ficar sempre bem apresentável, mesmo trabalhando em ambiente inóspito.

O interessante dessa história é que, graças à sua competência e vontade de trabalhar, passado algum tempo Vini conseguiu um emprego no escritório, que a princípio era apenas temporário, mas que acabou efetivando-se definitivo. E ele continua lustrando suas botas...


NUNCA DEIXE DE “LUSTRAR SUAS BOTAS”!!

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Há males que vêm pro mal



Era pra ser mais um dia normal de trabalho. Era pra ser. Começou mal, com forte chuva acompanhada de fortes ventos, e o céu enegrecido que me fazia ter a sensação de estar indo trabalhar no turno da noite. A noite anterior na faculdade havia me cansado bastante, e foi um pouco difícil de levantar da cama. “Só mais cinco minutos”, pensei eu. Cinco minutos podem fazer a diferença, tanto no sono quanto no atraso. Mas finalmente consegui tomar banho e me arrumar a tempo de sair pra esperar minha carona pro trabalho. Só não tive muito tempo de escolher o guarda-chuva apropriado pra ventania, o que me fez protagonizar a clássica cena ridícula do guarda-chuva virado do avesso no meio da rua (isso aconteceu umas oito vezes até chegar a carona).

Alguns minutos sofrendo com aquele guarda-chuva de R$1,99 na esquina e chega o meu amigo João Marcos, trazendo sua irmã e seu amigo Tiago. Beleza, entrei no carro e demorei até perceber um detalhe, uma coisa assim, quase imperceptível sob chuva torrencial: o limpador de pára-brisa não estava funcionando. Por um momento pensei que o Marquinhos estivesse fazendo aquilo de propósito, porque macho que é macho não usa essas frescuras de limpador de pára-brisa por causa de qualquer chuvinha apocalíptica. Mas, depois que ele deu uns tapas na alavanca que aciona os limpadores e proferiu alguns impropérios, eu deduzi que o negócio estava mesmo estragado. Paramos em outra esquina pra pegar o Gean e o Alexandre, e por causa disso o Marquinhos pediu pra sua irmã ir a pé dali em diante, porque o carro estaria cheio. Cinco machos. Uma chuva forte. Vidros embaçados e limpadores de pára-brisa estragados. E duas bocas malditas.

Não era exatamente uma viagem dos sonhos. A visibilidade caía para próximo de dez por cento quando se engatava a segunda marcha, e o ar abafado dentro do carro só piorava a situação. Marquinhos dirigia com todo o cuidado, intercalando tentativas de limpar o vidro com a mão direita com tentativas de fazer os limpadores funcionarem. Quando chegamos na rodovia a coisa piorou. A velocidade mais alta diminuía a visibilidade, e os caminhões passando e ultrapassando tornavam a viagem mais tensa. Marquinhos estava totalmente concentrado, e, após mais uma tentativa com a alavanca dos limpadores, ele, em um ato de visível desespero, forçava a alavanca com velocidade pra cima e pra baixo, o que obviamente não adiantou em nada, e pior: fez o Tiago dar risada. Nada poderia ter piorado mais a situação. Ao perceber que seu amigo ria-se de seu ato de desespero, Marquinhos proferiu exaltado: “Por Deus, Tiago! Se tu tiver fazendo o que eu penso que tu tá fazendo eu vou te encher de porrada!”. Eu tive que rir também.

A maneira como Marquinhos se orientava na estrada era curiosa: se escutasse o barulho dos pneus atropelando os tachões da direita, ele puxava o carro pra esquerda e vice-versa. Isso o fez dizer algo que nos fez rir: “pareço um bêbado dirigindo”. Pouco depois desse momento “rir pra não chorar” chegamos ao trecho de estrada de terra. “Sempre tem como piorar”, pensei. Pelo menos era mais fácil de distinguir o que era estrada e o que não era, por conta da terra vermelha. Ou da água vermelha, nem se enxergava direito que a estrada estava cheia de pedra solta e água corrente. Fiquei ali, no banco de trás, entre o Tiago e o Gean, este que apenas olhava para fora, como se nem estivesse dentro do carro (talvez se imaginando a bordo de um conversível importado em um dia ensolarado de folga, acompanhado por belas mulheres). Aí as bocas malditas entraram em ação. Primeiro foi o Marcos: “imagina a gente chegar lá, estacionar o carro, e os limpadores começarem a funcionar!”. Rimos. Estávamos quase chegando ao trabalho. Um minuto passou e adivinhe: os limpadores começaram a funcionar. Essa é a verdadeira definição de IRONIA. Depois de passar sufoco a viagem inteira por causa da merda dos limpadores estragados, eles resolvem funcionar poucos metros antes de chegar ao destino. Aí eu falei: “só falta agora o carro apagar!”

Por que eu falei aquilo? Passamos o portão de entrada, paramos numa subidinha para a vistoria de praxe no porta-malas, e... o carro apagou. Numa subida! Depois de passar o portão de entrada! Marquinhos tentava desesperadamente fazer o motor ligar, e nada. Então ele começou a largar o carro de ré em direção a uma descida, tentando fazer o carro pegar no tranco ainda em marcha-ré. Manobra inútil. Tivemos que sair do carro, a chuva ainda forte, e o empurramos para mais uma tentativa. Enquanto o carro descia a lomba, começamos a subir de volta em direção ao portão. Aí escutamos o ruído do motor pegando. Aleluia!! Já havíamos caminhado um bom trecho quando o Marquinhos nos alcançou. Entramos no carro para subir finalmente ao trabalho e... apagou outra vez!! Mais tentativas de pegar no tranco de ré, mais de empurrar o carro ladeira a baixo, mas dessa vez nem pegou mais. Parou no meio da estrada. Subimos novamente a pé enquanto nosso motorista empurrava o carro sob a chuva para um lugar mais seguro.

Chegamos ensopados ao escritório. Contamos a história triste aos colegas e o Vinícius foi buscar o Marquinhos. Bela maneira de começar o dia. Perdemos o café da manhã ainda por cima... que merda. Não deu pra tirar nem uma moral da história, aprender alguma coisa. Há males que vêm pro mal. E molhados.






Domingo, Dezembro 13, 2009

Fan

Na onda da reforma ortográfica, resolvi eu mesmo fazer a minha reforma. Porque, convenhamos, meia-dúzia de caras que se trancam em uma sala e resolvem modificar as palavras que bem entendem (espero que pelo menos após uma bela sessão de truco ou pôquer, algumas bebidas e lap dancers) e temos que aceitar tudo sem reclamar? Quem eles pensam que são? Os donos da língua?

Como eu falo bastante a língua brasileira, decidi alterar apenas uma palavra. Por enquanto.
Enfim, troquei a grafia da palavra "fã" por "fan". É muito mais prático, veja as razões para fazer tal adaptação:


  • É muito mais fácil em teclados internacionais você digitar "fan" ao invés de ficar catando a tecla SHIFT e depois o renegado til, e então a vogal, ainda mais se for em netbooks.
  • A palavra já existe na língua inglesa e, portanto, seria de fácil reconhecimento internacional, facilitando o diálogo entre as nações.
  • A palavra lembra a Renata Fan (a quem eu já tive o prazer mágico de ver desfilando pelas ruas do centro de Santo Ângelo), e tudo que lembra a Renata Fan deveria ser repetido várias e várias vezes para que nunca esqueçamos da Renata Fan e tudo que ela representa.
  • O som é o mesmo, pombas.
Essa é a primeira de muitas, portanto.

Para fechar o post, não poderia faltar ela, é claro, Fan:









Ai, ai... Fan, Fan, Fan, Fan Fan...

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Motivado



Acordei motivado na manhã de terça-feira, para encarar mais um feliz dia de árduo trabalho, mas aí lembrei-me do dinheiro escondido nas excelentíssimas meias e cuecas da vida, e quase não tive vontade de sair de casa...

Sacanagem. Que vontade de ir pra Nova Zelândia.

P.S.: uma punição leve já estaria de bom tamanho, do tipo cortar os pés e as mãos do sujeito e pendurar em praça pública. Não dizem que a história é cíclica? Tá aí uma boa hora para voltarmos ao código de Hamurabi.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Campanha: um ano sem novelas!


Como eu odeio novelas!
Mas não é qualquer novela, não me entenda mal, por influência das mulheres da minha família assisti a várias novelas quando mais jovem, e lembro-me bem de algumas até hoje. A diferença das novelas que eu odeio para as novelas que eu lembro está puramente na qualidade. Não se fazem mais novelas como "Renascer", cujo início é de arrepiar, e eu faço questão que você lembre do primeiro episódio clicando aqui (se você não estiver afim de gastar muito tempo, pelo menos assista a abertura, computação gráfica pesadíssima para a época). Essa novela é um exemplo de enredo interessante, aliado à interpretação de atores de verdade, e não de ex-BBBs ou ex-modelos ou cantores que não conseguem se contentar com uma fama só.
Até mesmo as novelas que são do gênero "comédia de época que passa no final de tarde" não são tão inteligentes e engraçadas como as de antigamente. Lembro de "Cravo e Canela", humor inteligente com enredo e atores interessantes.

Uma prova do que estou falando é o gráfico do Ibope que vos apresento abaixo:



Sou a favor das manifestações artísticas de qualquer tipo, formato, cor, cheiro, forma, etc... desde que sejam boas. E as novelas não andam boas. Andam depressivas (Aline Moraes tetraplégica é algo extremamente depressivo só de imaginar). Isso que meu único contato com novela é se estou em algum restaurante ou outro lugar em que haja uma televisão sintonizada na novela das oito (nove?).
As novelas resumiram-se a badalações e brigas do núcleo rico, milionário, que vive no Brasil como se estivesse no primeiro mundo, e a travessuras e agruras do núcleo pobre da novela, que vive muito melhor do que qualquer pobre do Brasil, aliás, e vivem sambando e aprontando as maiores confusões, sem preocupações maiores, e apresentando dramas típicos para distrair o povão após um dia de trabalho.

Acho a literatura importante, e as novelas de certa forma aproximam a literatura às pessoas. Mas isso que temos ultimamente é lixo. É ridículo. Não consigo aguentar sequer dez segundos de áudio de novela. Até as novelas mexicanas com o clássico enredo "menina pobre que se apaixona por homem rico e comprometido com megera rica" são melhores que as novelas da Globo.

Portanto, lanço a campanha: UM ANO SEM NOVELAS!

Retirem da televisão essa tortura, ferramenta ridícula de alienação do povo, refúgio de artistas sem talento e plataforma de lançamento de trilhas sonoras de igual calibre.

Que seja exibido algo melhor no lugar, sei lá, maratonas de reprise dos Trapalhões, Família Dinossauro, ou documentários sobre a vida dos monges beneditinos. O ideal mesmo seria deixar o Galvão Bueno ocupar o horário da maneira que ele quisesse, ah, isso seria legal, melhor até que a Zorra Total. Ou acabem com essa merda de televisão e dêem internet banda larga decente pro povo.