quarta-feira, junho 23, 2010

Música - Semana Que Vem (cover da Pitty)

Saí hoje do trabalho com a música Semana Que Vem, da Pitty, na cabeça. Cantei ela o caminho todo até em casa, e foi por isso que resolvi pegar o violão e gravar uma versãozinha dela, sem preocupação, sem edição, e gravada pelo meu celular. Um cover simples, mas que deve significar algo maior, pela beleza da letra e pelo momento no qual essa música resolveu se instalar na minha mente. Espero que gostem.

Player:


Caso não carregue o player, ouça a música no site de hospedagem, clicando aqui.

segunda-feira, maio 24, 2010

O Bigode Do Meu Pai


Quando nasci, meu pai já tinha 44 anos e vários filhos de outras mulheres. Não vi, portanto, aquela figura paterna jovial, atlética, e com a disposição dos jovens adultos empolgados com a formação da sua família. Eu não era novidade. Ao invés disso, sempre vi a figura séria, daquele homem que parecia ser uma montanha, policial civil, sempre de óculos, e principalmente, de bigode. Era praticamente uma marca registrada o bigode, que desempenhava um papel importante na formação da imagem que sempre tive de meu pai: um homem sério, com um bigode sério.


Certo dia, porém, algo aconteceu. Algo que marcaria minha vida. Um momento que jamais esqueci e do qual me lembro com tamanha riqueza de detalhes que até parece ter se passado hoje de manhã. Eis o que aconteceu, em uma pacata manhã de domingo, em nosso apartamento na capital: estava eu, com meus aproximadamente 10 anos de idade, procurando meu pai pelo apartamento. Não o encontrando nos cômodos comuns, e ao ver uma luz acesa do banheiro, resolvi entrar. E foi então que meus olhos, incrédulos, depararam-se com a imagem de meu pai, com espuma de barbear sob o nariz, empunhando uma lâmina de barbear, esticando a pele acima do lábio superior suprimindo o mesmo, eliminando de sua figura o símbolo máximo da seriedade e sisudez. Assustado com a cena, que nunca imaginei que veria na vida (mesmo após anos e anos de insistência de minha mãe para que ele se livrasse do bigode), dei um grito e saí correndo contar para minha progenitora, que não acreditou em minhas palavras, mas que acabou igualmente espantada ao ver, minutos depois, um homem sem bigode saindo do banheiro.


Foi muito estranho. De repente, meu velho parecia tão desprotegido, desfigurado, pelado, e na minha imaginação de criança, até mesmo com frio. Não sei o que realmente motivou um homem de 54 anos a raspar o bigode. Ele provavelmente nem lembrava da última vez que o tinha feito. Até a pele sob o nariz estava mais clara, ressurgindo após décadas de escuridão sob os fios negros. Fios esses, aliás, que já não andavam tão negros. Estavam grisalhos, dando trabalho para tingir. Coisa que ele levou muito tempo para fazer, após insistência de minha mãe, e um pouco de influência do comercial do Grecin 2000.


Vai ver foi por isso que ele desistiu de ostentar seu bigode. Dava muito trabalho competir com o Tom Selleck.


segunda-feira, maio 17, 2010

A Pessoa Certa

Fiquei indeciso sobre o que escrever. Não sabia se seria melhor abordar um tema de forma humorística, de forma sarcástica (minha preferida), séria (raro acontecer) ou nonsense. Aí percebi que, além de não saber como escrever o que eu queria, eu não sabia o que eu queria como tema. E quando essas coisas acontecem, é melhor falar de algo comum pra todo mundo: o amor, da maneira mais sentimentalóide possível.

Acho fascinante observar aquelas mensagens pessoais que as pessoas deixam na internet. Pode ser no MSN, no Twitter ou Orkut, aquelas poucas palavras revelam bastante, e geralmente, são motivadas por outra pessoa, ou a busca pela outra pessoa. Juras de amor eterno, declarações públicas de afetividade, trocas de carinho virtuais. Tudo isso, todos os dias na tela do seu computador pessoal, só leva à conclusão que não é novidade pra ninguém, e que está sempre nas canções: “everybody is after Love”. Todo mundo busca ela: a pessoa certa.

Muitos e-mails já deram o ar da graça na minha caixa de entrada, com pequenos textos de autoria duvidosa, que exprimem as mais variadas formas de se lidar com as questões do coração. Mas, e aí, afinal de contas, o que é a pessoa certa?

Seria muita pretensão do degas que vos escreve pensar possuir a resposta dessa pergunta. Mas isso não me impede de dizer algo do tipo:

“Existe a pessoa certa? Ora, digo-vos que sim. Aliás, digo que existe mais do que apenas uma pessoa certa. Podem existir várias pessoas certas ao longo de sua vida. O que pode não ser certo, às vezes, é o momento que contextualiza a relação. Aí se busca outra pessoa certa. Para você e para o seu momento. Se é possível saber quando encontramos a tal pessoa certa? Creio que não. Ninguém nunca sabe quando a encontra. Você pode, sim, sentir. Sutilmente. Como um amanhecer suave. Quando a conversa flui tão fácil e divertidamente que se gasta uma madrugada nela sem a esgotar. Quando a vontade constante de se encontrar impera. Quando fazer algo por essa pessoa lhe dá uma sensação diferente, de mais que satisfação. Quando se compartilham gostos, dividem-se experiências e aprendem-se coisas novas, ou aprende-se a gostar de coisas antigas. Quando não é possível imaginar tudo de outro jeito, e enquanto houver esperança. Mas se essa última esmaecer, então a certeza vira incerteza, e uma vida com incertezas, essa, não vale a pena.”

quarta-feira, abril 28, 2010

Música de fossa: porque ouvi-la.

Quase todo mundo já se deparou com uma situação depressiva, por alguma razão, que geralmente amorosa, e acabou passando algumas noites dentro da famosa "fossa". Essa nomenclatura elucidativa estabelece uma analogia sábia, de que um mau momento é equivalente a estar dentro de um buraco sem saída.
Claro que pode ser exagero, nos deprimimos às vezes por coisas tão levianas. Mas quando isso acontece, é importante termos a nossa trilha sonora, aquele tipo de música que condiz com o momento: a música de fossa.
Por que ouvimos esse tipo de música? A lógica, pois, seria justamente o contrário, pois estando um indivíduo triste, desmotivado, desanimado, devesse ouvir a toneladas de músicas alegres, de preferência daquelas que fazem você "tirar o pé do chão" sem desrespeitar a lei da gravidade. Mas não é a única possibilidade.
A música de fossa pode ser muito importante em um momento difícil. Você escutar do seu artista preferido que ele "anda tão down", ou simplesmente sentir a solidariedade melancólica através de sua melodia, subliminarmente faz com que você se sinta bem. Significa que você, na insignificância do seu quarto ou sala de estar, não é o único ser humano passando por agruras. É o que pode lhe dar força para sair da fossa.
E claro, a música sempre acompanha a vida, e posteriormente ao ouvir uma música de fossa marcante, vamos lembrar do momento desiluminado por que passamos, e aí sim, sorrir lembrando daquilo, e sempre com a certeza de que tudo no final acaba bem. Com a devida trilha sonora.

segunda-feira, março 29, 2010

Eu quero uma casa no campo...


Eu, Caio Verídico, sou natural de Porto Alegre. Vivi metade da minha vida na capital, metade no interior. Tenho vivido no interior há vários anos, mas sempre gostei da cidade grande e de tudo que ela oferece. Bem, o que eu quero fazer aqui é uma comparação básica, bastante pessoal, entre esses dois mundos.

Recentemente, passei quase dois meses em POA, em um apartamento, dormindo mal devido ao barulho dos carros, ao som da casa noturna de quinta categoria que ficava no térreo, e tendo que agüentar vizinhos. Nada mais chato que um vizinho em um condomínio. As pessoas são chatas por natureza. Não me interessam elas, as pessoas. Mas eu era diariamente obrigado a ouvir as agruras de um casal que brigava todos os dias pelo mesmo motivo: falta de dinheiro. Obviamente, nenhum dos dois deve ter estudado muito na vida, e passavam a maior parte do tempo ou fumando (capítulo à parte) ou brigando, ou assistindo ao BBB. O problema é que ficava difícil de EU estudar tendo que ouvir tudo aquilo, quando não era a rádio Atlântida e suas playlists irritantes de novidades medíocres bombando no aparelho de som Britania daquele vizinho chato.

Na capital tive que enfrentar mais um problema: fumantes. Eu odeio fumantes. Todos eles. Para mim, uma pessoa que fuma é automaticamente um ser inferior, um coitado, alguém que necessita de uma muleta psicológica fedorenta para suprir a falta de auto-estima ou imagem própria de si mesmo perante a sociedade. Enfim, alguém de baixo Q.I. Mas, para meu azar, eles estão por todos os lugares da capital, e é impossível andar pelas ruas sem aspirar umas quantas nuvens de fumaça fétida lançada por esses infelizes.

Outra coisa que me revolta na Capital é a atitude de muitas pessoas quando se referem ao interior do Estado. Para muitas delas (eu diria que a maioria delas), as pessoas que vivem no interior são inferiores, pouco instruídas e de pouca cultura, não raro se tornando motivo de chacota por parte de porto-alegrenses arrogantes e ignorantes. Eu odeio isso. Mas é até legal saber que os seres superiores que moram na Capital pensam isso, depois que a maioria das vagas das faculdades que lá se encontram são preenchidas por pessoas do interior que detonam no vestibular.

Enfim, retornei ao lar. Nunca pensei que eu fosse gostar tanto do interior. Andar tranquilamente nas ruas, sem medo de ser assaltado ou de ter as narinas invadidas por nicotina. Poder admirar a limpeza das ruas, a cordialidade das pessoas, e o sentimento único de que você não é apenas “mais um na multidão”. Você é conhecido, reconhecido. As pessoas sabem que formação você tem, e valorizam o que você faz, pois é algo visível a todos da sociedade. E o melhor de tudo: não ter vizinho de cima, nem de baixo, e os dos lados estão confortavelmente afastados o suficiente para me deixar viver e estudar em paz.

Paz.

Por isso, cidadãos arrogantes da Capital, eu tenho pena de vocês. É bom ter shopping Center? É. É bom ter cinema com novidades, shows e outras facilidades da cidade grande? Com certeza. Só que isso tudo eu posso ter nas férias, de preferência quando vocês estão na praia, emporcalhando as areias, e deixando a minha cidade natal com um jeito um pouco mais de interior.

Agora vou dormir, bem sossegado, sabendo que não enfrentarei filas quilométricas, nem sinais de trânsito, nem passagens caras de ônibus.

O interior é o paraíso!



segunda-feira, fevereiro 15, 2010

O tão esperado...


Genial, simplesmente genial.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Edward Mãos De Derrame

Essa quem me contou foi um amigo:


Eis que o sujeito era um motorista de ambulância, e como acontece ocasionalmente com todos os motoristas de ambulância, estava precisando de um corte de cabelo no capricho. Sentado na cadeira do cabeleireiro, coberto pela tradicional capa para proteger seu uniforme de motorista de ambulância dos fios de cabelo rejeitados, nosso amigo relaxava enquanto deixava o profissional das tesouras fazer o serviço. Corta aqui, corta ali, picota acolá, e, de repente, mais do que de repente, assustadoramente, o cabeleireiro começa a pender para a esquerda, esbugalhar os olhos, prostra-se e desaba ao chão, tal qual o Cristo Redentor no filme “2010”, toda a cena acompanhada pelo espelho em frente aos dois.

Assustado com a situação, mas sem deixar o seu profissionalismo de lado, o cliente levantou-se mesmo com capa, corte de cabelo mal-acabado, e um fio de cabelo daqueles que teimam em cair na face ou no olho que a gente tenta inutilmente soprar pra longe, e rapidamente socorreu o pobre cabeleireiro desfalecido, jogando-o dentro de sua ambulância e levando-o ao hospital mais próximo.

O cabeleireiro foi atendido e, felizmente, salvo. O diagnóstico foi de um derrame, que se não tivesse sido prontamente socorrido poderia ter lhe causado a morte.

Isso que é um cliente certo na hora certa. Acho que nosso amigo motorista nunca mais vai precisar pagar por um corte de cabelo (ou pelo menos por um período de tempo).

terça-feira, janeiro 12, 2010

Pequenas Merdas da Vida

Tem coisas que só acontecem comigo, definitivamente. Um dia desses, no escritório, o diretor me chama ao seu gabinete para tratar de um assunto de certa urgência. Sabendo do que se tratava, apressei-me em direção à sua sala, e ao passar pela porta da sala de espera consegui a proeza de bater com força o antebraço na maçaneta. Mais precisamente aquela partezinha mole do antebraço (que já anda deveras flácido ultimamente), bem na ponta da maçaneta em formato de alavanca. Elegantemente, segurei o impulso de gritar “filho da #%&*, que dor!!”, com um discreto torcer de lábios, juntamente com 53 músculos faciais, e fiquei disfarçando a dor agonizante de um “tostão” no antebraço durante todo o tempo em que conversava com o chefe, mal prestando atenção no que ele dizia, enquanto massageava a área impactada lenta e disfarçadamente debaixo da mesa.

Mais legal foi o que me aconteceu no dia 24 de dezembro: Véspera de natal, todo aquele clima prévio à ceia, todo mundo vestido pra morrer, e lá fui eu viajar 34 km para buscar minha namorada em uma cidade vizinha. A noite estava muito boa, até que, absolutamente do nada, uma pancada de chuva torrencial desabou sobre o meu pobre Gol. No caminho de volta à minha cidade, já acompanhado da minha cara-metade, tive a felicidade de acertar um buraco na estrada que detonou com um pneu meio careca, e me fez protagonizar a cena de trocar o pneu, todo bem-vestido, e atrasado pra ceia de natal. Acabei sujando o carro e ficando eu também sujo e suado, maravilha! Pelo menos já não chovia mais, embora o mormaço causado pela chuva levantasse do asfalto, me dando a sensação de estar em uma sauna. Uma beleza.

Pra terminar as pequenas merdas da vida, passei o dia no trabalho sem internet, devido a um raio que queimou o servidor. Sem ter acesso a rede mundial dos computadores, não podia fazer muita coisa, senão tentar me distrair. Pensei então em olhar o conteúdo do meu HD externo que sempre trago comigo, recheado de coisas interessantes, e aí percebi que exatamente neste dia eu havia me esquecido de trazê-lo comigo. Podia ter acontecido em qualquer dia. Aconteceu justamente no dia em que eu precisava.

Isso tudo sem falar na virada do ano, quando eu comi demais e bebi demais, e quase não consegui dormir sentindo pontadas e ameaças de ataques fulminantes. Belo começo de ano.

Ultimamente eu tenho percebido que existe uma lei mais certa do que a Lei da Gravidade: a Lei de Murphy. Se eu pego o desgraçado que inventou isso...

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Vini E As Botas


Vou contar uma pequena história de uma pessoa que eu conheço. Geralmente não nos damos conta, mas pessoas ordinárias podem, sem perceber, protagonizar histórias simples e ao mesmo tempo extraordinárias. Essa eu acho bem bacana, e compartilho com vocês, leitorinhos:

O Vini é uma figura peculiar, um cara que ficou meu amigo no colégio e que, mesmo depois de algum tempo sem contato, parecia que havíamos recém conversado quando o reencontrei, de surpresa, na empresa onde eu aguardava por uma entrevista de emprego. Nem sabia que ele trabalhava lá, e foi bacana saber que poderíamos ser colegas novamente.

Felizmente, consegui o emprego, e foi então que fiquei sabendo da história do Vini dentro da empresa. Quando ele foi entrevistado disseram-lhe que não havia vagas no escritório, e que ele só poderia trabalhar se fosse “pegando no pesado”, ao que ele respondeu que apenas queria trabalhar, não importasse como, nem que tivesse que “quebrar pedra sob o sol”. Com essa atitude, obviamente foi admitido, e trabalhando pesado ele foi durante meses.

Devido ao local de trabalho ser uma obra, todos os colaboradores deviam usar EPI (equipamento de proteção individual), que consiste basicamente em capacete, óculos, protetor auricular e... um par de botas. Um belo par de pesadas botas desconfortáveis, as quais Vini engraxava e lustrava cuidadosamente todos os dias. Por conta de seu cuidado e atenção para com as botas, virou motivo de troça entre seus colegas, que diziam entre risadas em tom jocoso: “acha que está trabalhando no escritório é?”, ao que Vini respondia: “quem sabe um dia...”

Ele não levava as piadas a sério, e seguia com seu costume de ficar sempre bem apresentável, mesmo trabalhando em ambiente inóspito.

O interessante dessa história é que, graças à sua competência e vontade de trabalhar, passado algum tempo Vini conseguiu um emprego no escritório, que a princípio era apenas temporário, mas que acabou efetivando-se definitivo. E ele continua lustrando suas botas...


NUNCA DEIXE DE “LUSTRAR SUAS BOTAS”!!