segunda-feira, maio 17, 2010

A Pessoa Certa

Fiquei indeciso sobre o que escrever. Não sabia se seria melhor abordar um tema de forma humorística, de forma sarcástica (minha preferida), séria (raro acontecer) ou nonsense. Aí percebi que, além de não saber como escrever o que eu queria, eu não sabia o que eu queria como tema. E quando essas coisas acontecem, é melhor falar de algo comum pra todo mundo: o amor, da maneira mais sentimentalóide possível.

Acho fascinante observar aquelas mensagens pessoais que as pessoas deixam na internet. Pode ser no MSN, no Twitter ou Orkut, aquelas poucas palavras revelam bastante, e geralmente, são motivadas por outra pessoa, ou a busca pela outra pessoa. Juras de amor eterno, declarações públicas de afetividade, trocas de carinho virtuais. Tudo isso, todos os dias na tela do seu computador pessoal, só leva à conclusão que não é novidade pra ninguém, e que está sempre nas canções: “everybody is after Love”. Todo mundo busca ela: a pessoa certa.

Muitos e-mails já deram o ar da graça na minha caixa de entrada, com pequenos textos de autoria duvidosa, que exprimem as mais variadas formas de se lidar com as questões do coração. Mas, e aí, afinal de contas, o que é a pessoa certa?

Seria muita pretensão do degas que vos escreve pensar possuir a resposta dessa pergunta. Mas isso não me impede de dizer algo do tipo:

“Existe a pessoa certa? Ora, digo-vos que sim. Aliás, digo que existe mais do que apenas uma pessoa certa. Podem existir várias pessoas certas ao longo de sua vida. O que pode não ser certo, às vezes, é o momento que contextualiza a relação. Aí se busca outra pessoa certa. Para você e para o seu momento. Se é possível saber quando encontramos a tal pessoa certa? Creio que não. Ninguém nunca sabe quando a encontra. Você pode, sim, sentir. Sutilmente. Como um amanhecer suave. Quando a conversa flui tão fácil e divertidamente que se gasta uma madrugada nela sem a esgotar. Quando a vontade constante de se encontrar impera. Quando fazer algo por essa pessoa lhe dá uma sensação diferente, de mais que satisfação. Quando se compartilham gostos, dividem-se experiências e aprendem-se coisas novas, ou aprende-se a gostar de coisas antigas. Quando não é possível imaginar tudo de outro jeito, e enquanto houver esperança. Mas se essa última esmaecer, então a certeza vira incerteza, e uma vida com incertezas, essa, não vale a pena.”

quarta-feira, abril 28, 2010

Música de fossa: porque ouvi-la.

Quase todo mundo já se deparou com uma situação depressiva, por alguma razão, que geralmente amorosa, e acabou passando algumas noites dentro da famosa "fossa". Essa nomenclatura elucidativa estabelece uma analogia sábia, de que um mau momento é equivalente a estar dentro de um buraco sem saída.
Claro que pode ser exagero, nos deprimimos às vezes por coisas tão levianas. Mas quando isso acontece, é importante termos a nossa trilha sonora, aquele tipo de música que condiz com o momento: a música de fossa.
Por que ouvimos esse tipo de música? A lógica, pois, seria justamente o contrário, pois estando um indivíduo triste, desmotivado, desanimado, devesse ouvir a toneladas de músicas alegres, de preferência daquelas que fazem você "tirar o pé do chão" sem desrespeitar a lei da gravidade. Mas não é a única possibilidade.
A música de fossa pode ser muito importante em um momento difícil. Você escutar do seu artista preferido que ele "anda tão down", ou simplesmente sentir a solidariedade melancólica através de sua melodia, subliminarmente faz com que você se sinta bem. Significa que você, na insignificância do seu quarto ou sala de estar, não é o único ser humano passando por agruras. É o que pode lhe dar força para sair da fossa.
E claro, a música sempre acompanha a vida, e posteriormente ao ouvir uma música de fossa marcante, vamos lembrar do momento desiluminado por que passamos, e aí sim, sorrir lembrando daquilo, e sempre com a certeza de que tudo no final acaba bem. Com a devida trilha sonora.

segunda-feira, março 29, 2010

Eu quero uma casa no campo...


Eu, Caio Verídico, sou natural de Porto Alegre. Vivi metade da minha vida na capital, metade no interior. Tenho vivido no interior há vários anos, mas sempre gostei da cidade grande e de tudo que ela oferece. Bem, o que eu quero fazer aqui é uma comparação básica, bastante pessoal, entre esses dois mundos.

Recentemente, passei quase dois meses em POA, em um apartamento, dormindo mal devido ao barulho dos carros, ao som da casa noturna de quinta categoria que ficava no térreo, e tendo que agüentar vizinhos. Nada mais chato que um vizinho em um condomínio. As pessoas são chatas por natureza. Não me interessam elas, as pessoas. Mas eu era diariamente obrigado a ouvir as agruras de um casal que brigava todos os dias pelo mesmo motivo: falta de dinheiro. Obviamente, nenhum dos dois deve ter estudado muito na vida, e passavam a maior parte do tempo ou fumando (capítulo à parte) ou brigando, ou assistindo ao BBB. O problema é que ficava difícil de EU estudar tendo que ouvir tudo aquilo, quando não era a rádio Atlântida e suas playlists irritantes de novidades medíocres bombando no aparelho de som Britania daquele vizinho chato.

Na capital tive que enfrentar mais um problema: fumantes. Eu odeio fumantes. Todos eles. Para mim, uma pessoa que fuma é automaticamente um ser inferior, um coitado, alguém que necessita de uma muleta psicológica fedorenta para suprir a falta de auto-estima ou imagem própria de si mesmo perante a sociedade. Enfim, alguém de baixo Q.I. Mas, para meu azar, eles estão por todos os lugares da capital, e é impossível andar pelas ruas sem aspirar umas quantas nuvens de fumaça fétida lançada por esses infelizes.

Outra coisa que me revolta na Capital é a atitude de muitas pessoas quando se referem ao interior do Estado. Para muitas delas (eu diria que a maioria delas), as pessoas que vivem no interior são inferiores, pouco instruídas e de pouca cultura, não raro se tornando motivo de chacota por parte de porto-alegrenses arrogantes e ignorantes. Eu odeio isso. Mas é até legal saber que os seres superiores que moram na Capital pensam isso, depois que a maioria das vagas das faculdades que lá se encontram são preenchidas por pessoas do interior que detonam no vestibular.

Enfim, retornei ao lar. Nunca pensei que eu fosse gostar tanto do interior. Andar tranquilamente nas ruas, sem medo de ser assaltado ou de ter as narinas invadidas por nicotina. Poder admirar a limpeza das ruas, a cordialidade das pessoas, e o sentimento único de que você não é apenas “mais um na multidão”. Você é conhecido, reconhecido. As pessoas sabem que formação você tem, e valorizam o que você faz, pois é algo visível a todos da sociedade. E o melhor de tudo: não ter vizinho de cima, nem de baixo, e os dos lados estão confortavelmente afastados o suficiente para me deixar viver e estudar em paz.

Paz.

Por isso, cidadãos arrogantes da Capital, eu tenho pena de vocês. É bom ter shopping Center? É. É bom ter cinema com novidades, shows e outras facilidades da cidade grande? Com certeza. Só que isso tudo eu posso ter nas férias, de preferência quando vocês estão na praia, emporcalhando as areias, e deixando a minha cidade natal com um jeito um pouco mais de interior.

Agora vou dormir, bem sossegado, sabendo que não enfrentarei filas quilométricas, nem sinais de trânsito, nem passagens caras de ônibus.

O interior é o paraíso!



segunda-feira, fevereiro 15, 2010

O tão esperado...


Genial, simplesmente genial.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Edward Mãos De Derrame

Essa quem me contou foi um amigo:


Eis que o sujeito era um motorista de ambulância, e como acontece ocasionalmente com todos os motoristas de ambulância, estava precisando de um corte de cabelo no capricho. Sentado na cadeira do cabeleireiro, coberto pela tradicional capa para proteger seu uniforme de motorista de ambulância dos fios de cabelo rejeitados, nosso amigo relaxava enquanto deixava o profissional das tesouras fazer o serviço. Corta aqui, corta ali, picota acolá, e, de repente, mais do que de repente, assustadoramente, o cabeleireiro começa a pender para a esquerda, esbugalhar os olhos, prostra-se e desaba ao chão, tal qual o Cristo Redentor no filme “2010”, toda a cena acompanhada pelo espelho em frente aos dois.

Assustado com a situação, mas sem deixar o seu profissionalismo de lado, o cliente levantou-se mesmo com capa, corte de cabelo mal-acabado, e um fio de cabelo daqueles que teimam em cair na face ou no olho que a gente tenta inutilmente soprar pra longe, e rapidamente socorreu o pobre cabeleireiro desfalecido, jogando-o dentro de sua ambulância e levando-o ao hospital mais próximo.

O cabeleireiro foi atendido e, felizmente, salvo. O diagnóstico foi de um derrame, que se não tivesse sido prontamente socorrido poderia ter lhe causado a morte.

Isso que é um cliente certo na hora certa. Acho que nosso amigo motorista nunca mais vai precisar pagar por um corte de cabelo (ou pelo menos por um período de tempo).

terça-feira, janeiro 12, 2010

Pequenas Merdas da Vida

Tem coisas que só acontecem comigo, definitivamente. Um dia desses, no escritório, o diretor me chama ao seu gabinete para tratar de um assunto de certa urgência. Sabendo do que se tratava, apressei-me em direção à sua sala, e ao passar pela porta da sala de espera consegui a proeza de bater com força o antebraço na maçaneta. Mais precisamente aquela partezinha mole do antebraço (que já anda deveras flácido ultimamente), bem na ponta da maçaneta em formato de alavanca. Elegantemente, segurei o impulso de gritar “filho da #%&*, que dor!!”, com um discreto torcer de lábios, juntamente com 53 músculos faciais, e fiquei disfarçando a dor agonizante de um “tostão” no antebraço durante todo o tempo em que conversava com o chefe, mal prestando atenção no que ele dizia, enquanto massageava a área impactada lenta e disfarçadamente debaixo da mesa.

Mais legal foi o que me aconteceu no dia 24 de dezembro: Véspera de natal, todo aquele clima prévio à ceia, todo mundo vestido pra morrer, e lá fui eu viajar 34 km para buscar minha namorada em uma cidade vizinha. A noite estava muito boa, até que, absolutamente do nada, uma pancada de chuva torrencial desabou sobre o meu pobre Gol. No caminho de volta à minha cidade, já acompanhado da minha cara-metade, tive a felicidade de acertar um buraco na estrada que detonou com um pneu meio careca, e me fez protagonizar a cena de trocar o pneu, todo bem-vestido, e atrasado pra ceia de natal. Acabei sujando o carro e ficando eu também sujo e suado, maravilha! Pelo menos já não chovia mais, embora o mormaço causado pela chuva levantasse do asfalto, me dando a sensação de estar em uma sauna. Uma beleza.

Pra terminar as pequenas merdas da vida, passei o dia no trabalho sem internet, devido a um raio que queimou o servidor. Sem ter acesso a rede mundial dos computadores, não podia fazer muita coisa, senão tentar me distrair. Pensei então em olhar o conteúdo do meu HD externo que sempre trago comigo, recheado de coisas interessantes, e aí percebi que exatamente neste dia eu havia me esquecido de trazê-lo comigo. Podia ter acontecido em qualquer dia. Aconteceu justamente no dia em que eu precisava.

Isso tudo sem falar na virada do ano, quando eu comi demais e bebi demais, e quase não consegui dormir sentindo pontadas e ameaças de ataques fulminantes. Belo começo de ano.

Ultimamente eu tenho percebido que existe uma lei mais certa do que a Lei da Gravidade: a Lei de Murphy. Se eu pego o desgraçado que inventou isso...

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Vini E As Botas


Vou contar uma pequena história de uma pessoa que eu conheço. Geralmente não nos damos conta, mas pessoas ordinárias podem, sem perceber, protagonizar histórias simples e ao mesmo tempo extraordinárias. Essa eu acho bem bacana, e compartilho com vocês, leitorinhos:

O Vini é uma figura peculiar, um cara que ficou meu amigo no colégio e que, mesmo depois de algum tempo sem contato, parecia que havíamos recém conversado quando o reencontrei, de surpresa, na empresa onde eu aguardava por uma entrevista de emprego. Nem sabia que ele trabalhava lá, e foi bacana saber que poderíamos ser colegas novamente.

Felizmente, consegui o emprego, e foi então que fiquei sabendo da história do Vini dentro da empresa. Quando ele foi entrevistado disseram-lhe que não havia vagas no escritório, e que ele só poderia trabalhar se fosse “pegando no pesado”, ao que ele respondeu que apenas queria trabalhar, não importasse como, nem que tivesse que “quebrar pedra sob o sol”. Com essa atitude, obviamente foi admitido, e trabalhando pesado ele foi durante meses.

Devido ao local de trabalho ser uma obra, todos os colaboradores deviam usar EPI (equipamento de proteção individual), que consiste basicamente em capacete, óculos, protetor auricular e... um par de botas. Um belo par de pesadas botas desconfortáveis, as quais Vini engraxava e lustrava cuidadosamente todos os dias. Por conta de seu cuidado e atenção para com as botas, virou motivo de troça entre seus colegas, que diziam entre risadas em tom jocoso: “acha que está trabalhando no escritório é?”, ao que Vini respondia: “quem sabe um dia...”

Ele não levava as piadas a sério, e seguia com seu costume de ficar sempre bem apresentável, mesmo trabalhando em ambiente inóspito.

O interessante dessa história é que, graças à sua competência e vontade de trabalhar, passado algum tempo Vini conseguiu um emprego no escritório, que a princípio era apenas temporário, mas que acabou efetivando-se definitivo. E ele continua lustrando suas botas...


NUNCA DEIXE DE “LUSTRAR SUAS BOTAS”!!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Há males que vêm pro mal



Era pra ser mais um dia normal de trabalho. Era pra ser. Começou mal, com forte chuva acompanhada de fortes ventos, e o céu enegrecido que me fazia ter a sensação de estar indo trabalhar no turno da noite. A noite anterior na faculdade havia me cansado bastante, e foi um pouco difícil de levantar da cama. “Só mais cinco minutos”, pensei eu. Cinco minutos podem fazer a diferença, tanto no sono quanto no atraso. Mas finalmente consegui tomar banho e me arrumar a tempo de sair pra esperar minha carona pro trabalho. Só não tive muito tempo de escolher o guarda-chuva apropriado pra ventania, o que me fez protagonizar a clássica cena ridícula do guarda-chuva virado do avesso no meio da rua (isso aconteceu umas oito vezes até chegar a carona).

Alguns minutos sofrendo com aquele guarda-chuva de R$1,99 na esquina e chega o meu amigo João Marcos, trazendo sua irmã e seu amigo Tiago. Beleza, entrei no carro e demorei até perceber um detalhe, uma coisa assim, quase imperceptível sob chuva torrencial: o limpador de pára-brisa não estava funcionando. Por um momento pensei que o Marquinhos estivesse fazendo aquilo de propósito, porque macho que é macho não usa essas frescuras de limpador de pára-brisa por causa de qualquer chuvinha apocalíptica. Mas, depois que ele deu uns tapas na alavanca que aciona os limpadores e proferiu alguns impropérios, eu deduzi que o negócio estava mesmo estragado. Paramos em outra esquina pra pegar o Gean e o Alexandre, e por causa disso o Marquinhos pediu pra sua irmã ir a pé dali em diante, porque o carro estaria cheio. Cinco machos. Uma chuva forte. Vidros embaçados e limpadores de pára-brisa estragados. E duas bocas malditas.

Não era exatamente uma viagem dos sonhos. A visibilidade caía para próximo de dez por cento quando se engatava a segunda marcha, e o ar abafado dentro do carro só piorava a situação. Marquinhos dirigia com todo o cuidado, intercalando tentativas de limpar o vidro com a mão direita com tentativas de fazer os limpadores funcionarem. Quando chegamos na rodovia a coisa piorou. A velocidade mais alta diminuía a visibilidade, e os caminhões passando e ultrapassando tornavam a viagem mais tensa. Marquinhos estava totalmente concentrado, e, após mais uma tentativa com a alavanca dos limpadores, ele, em um ato de visível desespero, forçava a alavanca com velocidade pra cima e pra baixo, o que obviamente não adiantou em nada, e pior: fez o Tiago dar risada. Nada poderia ter piorado mais a situação. Ao perceber que seu amigo ria-se de seu ato de desespero, Marquinhos proferiu exaltado: “Por Deus, Tiago! Se tu tiver fazendo o que eu penso que tu tá fazendo eu vou te encher de porrada!”. Eu tive que rir também.

A maneira como Marquinhos se orientava na estrada era curiosa: se escutasse o barulho dos pneus atropelando os tachões da direita, ele puxava o carro pra esquerda e vice-versa. Isso o fez dizer algo que nos fez rir: “pareço um bêbado dirigindo”. Pouco depois desse momento “rir pra não chorar” chegamos ao trecho de estrada de terra. “Sempre tem como piorar”, pensei. Pelo menos era mais fácil de distinguir o que era estrada e o que não era, por conta da terra vermelha. Ou da água vermelha, nem se enxergava direito que a estrada estava cheia de pedra solta e água corrente. Fiquei ali, no banco de trás, entre o Tiago e o Gean, este que apenas olhava para fora, como se nem estivesse dentro do carro (talvez se imaginando a bordo de um conversível importado em um dia ensolarado de folga, acompanhado por belas mulheres). Aí as bocas malditas entraram em ação. Primeiro foi o Marcos: “imagina a gente chegar lá, estacionar o carro, e os limpadores começarem a funcionar!”. Rimos. Estávamos quase chegando ao trabalho. Um minuto passou e adivinhe: os limpadores começaram a funcionar. Essa é a verdadeira definição de IRONIA. Depois de passar sufoco a viagem inteira por causa da merda dos limpadores estragados, eles resolvem funcionar poucos metros antes de chegar ao destino. Aí eu falei: “só falta agora o carro apagar!”

Por que eu falei aquilo? Passamos o portão de entrada, paramos numa subidinha para a vistoria de praxe no porta-malas, e... o carro apagou. Numa subida! Depois de passar o portão de entrada! Marquinhos tentava desesperadamente fazer o motor ligar, e nada. Então ele começou a largar o carro de ré em direção a uma descida, tentando fazer o carro pegar no tranco ainda em marcha-ré. Manobra inútil. Tivemos que sair do carro, a chuva ainda forte, e o empurramos para mais uma tentativa. Enquanto o carro descia a lomba, começamos a subir de volta em direção ao portão. Aí escutamos o ruído do motor pegando. Aleluia!! Já havíamos caminhado um bom trecho quando o Marquinhos nos alcançou. Entramos no carro para subir finalmente ao trabalho e... apagou outra vez!! Mais tentativas de pegar no tranco de ré, mais de empurrar o carro ladeira a baixo, mas dessa vez nem pegou mais. Parou no meio da estrada. Subimos novamente a pé enquanto nosso motorista empurrava o carro sob a chuva para um lugar mais seguro.

Chegamos ensopados ao escritório. Contamos a história triste aos colegas e o Vinícius foi buscar o Marquinhos. Bela maneira de começar o dia. Perdemos o café da manhã ainda por cima... que merda. Não deu pra tirar nem uma moral da história, aprender alguma coisa. Há males que vêm pro mal. E molhados.






terça-feira, dezembro 01, 2009

Motivado



Acordei motivado na manhã de terça-feira, para encarar mais um feliz dia de árduo trabalho, mas aí lembrei-me do dinheiro escondido nas excelentíssimas meias e cuecas da vida, e quase não tive vontade de sair de casa...

Sacanagem. Que vontade de ir pra Nova Zelândia.

P.S.: uma punição leve já estaria de bom tamanho, do tipo cortar os pés e as mãos do sujeito e pendurar em praça pública. Não dizem que a história é cíclica? Tá aí uma boa hora para voltarmos ao código de Hamurabi.

terça-feira, novembro 24, 2009

Campanha: um ano sem novelas!


Como eu odeio novelas!
Mas não é qualquer novela, não me entenda mal, por influência das mulheres da minha família assisti a várias novelas quando mais jovem, e lembro-me bem de algumas até hoje. A diferença das novelas que eu odeio para as novelas que eu lembro está puramente na qualidade. Não se fazem mais novelas como "Renascer", cujo início é de arrepiar, e eu faço questão que você lembre do primeiro episódio clicando aqui (se você não estiver afim de gastar muito tempo, pelo menos assista a abertura, computação gráfica pesadíssima para a época). Essa novela é um exemplo de enredo interessante, aliado à interpretação de atores de verdade, e não de ex-BBBs ou ex-modelos ou cantores que não conseguem se contentar com uma fama só.
Até mesmo as novelas que são do gênero "comédia de época que passa no final de tarde" não são tão inteligentes e engraçadas como as de antigamente. Lembro de "Cravo e Canela", humor inteligente com enredo e atores interessantes.

Uma prova do que estou falando é o gráfico do Ibope que vos apresento abaixo:



Sou a favor das manifestações artísticas de qualquer tipo, formato, cor, cheiro, forma, etc... desde que sejam boas. E as novelas não andam boas. Andam depressivas (Aline Moraes tetraplégica é algo extremamente depressivo só de imaginar). Isso que meu único contato com novela é se estou em algum restaurante ou outro lugar em que haja uma televisão sintonizada na novela das oito (nove?).
As novelas resumiram-se a badalações e brigas do núcleo rico, milionário, que vive no Brasil como se estivesse no primeiro mundo, e a travessuras e agruras do núcleo pobre da novela, que vive muito melhor do que qualquer pobre do Brasil, aliás, e vivem sambando e aprontando as maiores confusões, sem preocupações maiores, e apresentando dramas típicos para distrair o povão após um dia de trabalho.

Acho a literatura importante, e as novelas de certa forma aproximam a literatura às pessoas. Mas isso que temos ultimamente é lixo. É ridículo. Não consigo aguentar sequer dez segundos de áudio de novela. Até as novelas mexicanas com o clássico enredo "menina pobre que se apaixona por homem rico e comprometido com megera rica" são melhores que as novelas da Globo.

Portanto, lanço a campanha: UM ANO SEM NOVELAS!

Retirem da televisão essa tortura, ferramenta ridícula de alienação do povo, refúgio de artistas sem talento e plataforma de lançamento de trilhas sonoras de igual calibre.

Que seja exibido algo melhor no lugar, sei lá, maratonas de reprise dos Trapalhões, Família Dinossauro, ou documentários sobre a vida dos monges beneditinos. O ideal mesmo seria deixar o Galvão Bueno ocupar o horário da maneira que ele quisesse, ah, isso seria legal, melhor até que a Zorra Total. Ou acabem com essa merda de televisão e dêem internet banda larga decente pro povo.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Estou a dois passos... do inferno!

AAhh, o litoral! A agradável sensação da maresia que inebria e invade os corações adolescentes! Quem nunca foi tomado pelo espírito do verão, pela ansiedade de colocar os pés na areia da praia, sentir o sol escaldante, pegar jacarezinho e admirar corpos bronzeados desfilando em trajes sumários? Foi imaginando esse cenário que reagi com euforia ao convite de um amigo meu: "que tu acha de a gente ir pro Garota Verão em Capão da Canoa?". Minha cidade finalmente tinha uma bela representante na final desse tradicionalíssimo evento, e apesar de eu nunca ter sequer ouvido falar da tal finalista, me animei a torcer pela desconhecida, já que, dessa forma, poderia ir ao litoral para salvar as férias. Já faz um bom tempo isso, eu tinha 18 anos, mas lembro-me como se fosse ontem (de algumas coisas). A grande novidade daquela época era a visita de um americano na cidade. Todos queriam conhecer e falar com o recém-chegado. E eu confirmei isso na tal viagem, quando levamos ele, Joseph, para conhecer Capão da Canoa. A SAÍDA Chegou a noite marcada para a saída da excursão e estavam todos muito animados na praça, em frente ao ônibus. Os amigos da garota verão estavam eufóricos, trazendo faixas, confetes, serpentinas e, como é de costume na região, muita cerveja e outras bebidas alcoólicas para a viagem. Fomos com a galera do fundão, bebendo, conversando e dando risada, enquanto todo mundo estava curioso por causa do americano. Como eu era um dos únicos a falar inglês fluentemente, todos se dirigiam a mim para que eu traduzisse as perguntas e as respostas. No começo achei bacana, afinal, estava promovendo a integração do nosso amigo estrangeiro com a galera local, e a viagem foi seguindo e todo mundo bebendo... Na metade do caminho, todos emborrachados, rindo e gritando muito, o som de música alta ecoando pelo ônibus, e eu ainda estava fazendo as vezes de intérprete. Só que dessa vez começava a me irritar um pouco, porque os mesmos bêbados faziam a mesma pergunta dezenas de vezes, e ainda terminavam a conversa dizendo alguma merda do tipo "a gente aqui não tem muito dinheiro, mas vive feliz, o importante é ser feliz e blablabla...", mas eu pensava comigo mesmo: "gurizada tá mamada, não tem problema, natural...", e segui bebendo, e traduzindo. Foi nessa viagem que eu experimentei um fenômeno que até então eu desconhecia. De tanto ouvir perguntas em português, beber, traduzir a pergunta para o inglês, beber, traduzir a resposta do inglês para o português, e beber mais ainda, eu já não conseguia mais distinguir se o que eu estava falando era a língua tupiniquim ou o idioma yankee. Começava a falar português com sotaque de americano, e meu inglês soava naturalmente como nunca em minha vida. Batizei esse fenômeno de "Inversão Etílica da Língua Materna", já que naquela altura da viagem eu falava inglês melhor que português (dica para quem vai fazer o TOEFL ou outro teste de proficiência!). Um a um, os borrachos de plantão foram sucumbindo à força do álcool e das muitas horas de viagem e começaram a cair no sono. Mas sempre tem um pentelho que consegue ficar acordado, bebendo e incomodando todo mundo. Pra piorar, ele ficou competindo com o americano pra ver quem bebia mais. E perdeu. A última coisa que eu lembro da viagem de ida é ver o pentelho desmaiando de bêbado e ver o americano dando risada e ainda agarrando uma loira no último banco do ônibus. A CHEGADA Percebi que estávamos chegando quando o ônibus parava constantemente, em meio ao engarrafamento para entrar na cidade. Acordei meio zonzo, meu parceiro de viagem ainda estava dormindo pesadamente, olhei para fora e vi o tempo no litoral gaúcho: uma merda nublada. E pra piorar, muito vento. Fiquei chateado porque não queria que o Joseph tivesse uma primeira impressão ruim das praias brasileiras, mas daí lembrei que praia gaúcha não pode ser considerada praia brasileira e resolvi relaxar, afinal, até ocupado ele estava. Descemos do ônibus e fizemos uma rápida caminhada de umas nove quadras até chegar ao mar. Pensei que o tempo horrível pudesse ser compensado pela beleza da cidade, mas qual foi a minha surpresa ao ver a bela Capão da Canoa imunda, esgoto e lixo nas ruas do centro. O cenário era desanimador. E a ressaca também. Sentamos em algumas cadeiras no calçadão e ficamos ali pensando em beber alguma coisa. Eu não iria encarar mais álcool, mas o americano guerreiro levantou-se e, sem falar uma palavra, fez um pedido através de muita mímica à uma mulher de um quiosque próximo. Prontamente, ela atendeu ao seu pedido e puxou uma garrafa de Brahma. Fiquei pensando: "americano fdp, bebeu pra caralho e ainda vai tomar mais cerveja agora?". Ao ver a garrafa de Brahma, nosso intrépido gringo fez sinais de negativo com as mãos. Então, a atendente guardou a garrafa de Brahma, e puxou, triunfante, uma Brahma Extra. Pensei de novo: "desgraçado vai tomar cerveja extra ainda!". Joseph fez um sinal de "espera" com a mão e veio até a mim, pedindo em inglês: "cara, me ajuda ali, estou tentando pedir milho verde e ela só oferece cerveja!". Aí a gente teve que dar risada. Mas ao mesmo tempo admirei a coragem do rapaz. O EVENTO Aglomeração total próximo a plataforma de desfiles. Muitas câmeras de televisão, cartazes, gente gritando e buzinando, uma festa. Nos aproximamos da torcida da nossa cidade, e ficamos ali fazendo volume. Não tínhamos nada para ajudar na torcida, e foi aí que tivemos a idéia de juntar os papéis e confetes que estavam no chão, e atirá-los novamente ao ar, dando aquele efeito na hora que a câmera nos filmasse. E começamos a juntar aquilo tudo e jogar ao ar, como uns bobos. Era uma diversão. Aos poucos, e na pressa, ao juntar os papéis juntávamos alguma areia junto. E foi aí que percebemos como era divertido jogar areia na cabeça das pessoas com o pretexto do agito. Juntávamos uma proporção de 70% de areia com 30% de papéis e lançávamos aquele bolo ao ar, cuidando qual cabeça seria a premiada. Demais. Nem lembro de ter visto a moça desfilar. E se vi, não sabia quem era. Só sei que perdeu. O desfile terminou e ficamos vagando por aquela praia suja, nublada e fria, morrendo de fome. Encontramos uma barraquinha onde comi o melhor xis-camarão da minha vida. E voltamos ao ônibus para enfrentar a viagem de volta. A VIAGEM DE VOLTA Após entrarmos no nosso ônibus, ficamos esperando o cara que se atrasou. Sempre tem um cara que se atrasa. Ficamos parados ali, naquela tortura, enquanto não chegava o infeliz. Passou acho que quase uma hora até que alguém conseguiu descobrir que o desgraçado tinha conseguido entrar no ônibus errado, que pra sorte dele, ia pra alguma cidade da região. Pensei: "beleza, agora é hora de descansar um pouco e dormir". Ledo engano. Sempre tem um borracho que consegue resistir e continua bebendo. Esse era o único. E incomodava por uns trinta. Eu estava sentado na poltrona do corredor, e aquele chato ficou o tempo todo ao meu lado, em pé, se debatendo e gritando no meu ouvido, e eu nada de conseguir dormir. Comentei com meu amigo ao lado "cara, esse loco tá enchendo a minha paciência!", ao que pude comprovar a grande amizade que tinha com ele, quando ele propôs: "quer trocar de lugar?". Claro que troquei, e fiquei quietinho ali na janela, tentando dormir. Só que o bêbado continuou a incomodar... Quando você tem um pentelho ao lado de uma pessoa normal, geralmente o pentelho consegue incomodar plenamente até esgotar a paciência da pessoa normal. Experimente colocar então um pentelho por natureza, ao lado de um bêbado pentelho. Foi o que aconteceu com a troca. O bêbado esbarrava no meu amigo, e ele lhe desferia um cotovelasso junto com xingões. E assim foi boa parte da viagem, com os dois se "inter-pentelhando" e eu pude descansar um pouco. Lembro de ter visto o bêbado atravessar o ônibus com as calças abaixadas e gritando algo do tipo: "Peeelooos poderes de gay-que-sou!! Eu queeimo a roosca!!". Que inferno. CHEGANDO EM CASA Após uma viagem interminável, o ônibus para em frente a casa do idiota que pegou o ônibus errado pra avisar de sua façanha. O filho-da-mãe já havia chegado, e ria da nossa cara. Como eu sou um cara pacifista, contive meus impulsos de descer do bus e arrastar a cara dele no calçamento. Chegamos perto das sete horas da manhã, eu acho. Eu tinha areia nos ouvidos, no cabelo, até na cueca. Sentia-me um lixo. Caminhei da praça até minha casa, o que me pareceu mais demorado que as nove quadras para chegar ao mar. Tomei um banho e desmaiei na cama, pensando: "nunca mais na minha vida eu faço uma viagem dessas". Quando será que vai ter outra dessas??