segunda-feira, março 29, 2010

Eu quero uma casa no campo...


Eu, Caio Verídico, sou natural de Porto Alegre. Vivi metade da minha vida na capital, metade no interior. Tenho vivido no interior há vários anos, mas sempre gostei da cidade grande e de tudo que ela oferece. Bem, o que eu quero fazer aqui é uma comparação básica, bastante pessoal, entre esses dois mundos.

Recentemente, passei quase dois meses em POA, em um apartamento, dormindo mal devido ao barulho dos carros, ao som da casa noturna de quinta categoria que ficava no térreo, e tendo que agüentar vizinhos. Nada mais chato que um vizinho em um condomínio. As pessoas são chatas por natureza. Não me interessam elas, as pessoas. Mas eu era diariamente obrigado a ouvir as agruras de um casal que brigava todos os dias pelo mesmo motivo: falta de dinheiro. Obviamente, nenhum dos dois deve ter estudado muito na vida, e passavam a maior parte do tempo ou fumando (capítulo à parte) ou brigando, ou assistindo ao BBB. O problema é que ficava difícil de EU estudar tendo que ouvir tudo aquilo, quando não era a rádio Atlântida e suas playlists irritantes de novidades medíocres bombando no aparelho de som Britania daquele vizinho chato.

Na capital tive que enfrentar mais um problema: fumantes. Eu odeio fumantes. Todos eles. Para mim, uma pessoa que fuma é automaticamente um ser inferior, um coitado, alguém que necessita de uma muleta psicológica fedorenta para suprir a falta de auto-estima ou imagem própria de si mesmo perante a sociedade. Enfim, alguém de baixo Q.I. Mas, para meu azar, eles estão por todos os lugares da capital, e é impossível andar pelas ruas sem aspirar umas quantas nuvens de fumaça fétida lançada por esses infelizes.

Outra coisa que me revolta na Capital é a atitude de muitas pessoas quando se referem ao interior do Estado. Para muitas delas (eu diria que a maioria delas), as pessoas que vivem no interior são inferiores, pouco instruídas e de pouca cultura, não raro se tornando motivo de chacota por parte de porto-alegrenses arrogantes e ignorantes. Eu odeio isso. Mas é até legal saber que os seres superiores que moram na Capital pensam isso, depois que a maioria das vagas das faculdades que lá se encontram são preenchidas por pessoas do interior que detonam no vestibular.

Enfim, retornei ao lar. Nunca pensei que eu fosse gostar tanto do interior. Andar tranquilamente nas ruas, sem medo de ser assaltado ou de ter as narinas invadidas por nicotina. Poder admirar a limpeza das ruas, a cordialidade das pessoas, e o sentimento único de que você não é apenas “mais um na multidão”. Você é conhecido, reconhecido. As pessoas sabem que formação você tem, e valorizam o que você faz, pois é algo visível a todos da sociedade. E o melhor de tudo: não ter vizinho de cima, nem de baixo, e os dos lados estão confortavelmente afastados o suficiente para me deixar viver e estudar em paz.

Paz.

Por isso, cidadãos arrogantes da Capital, eu tenho pena de vocês. É bom ter shopping Center? É. É bom ter cinema com novidades, shows e outras facilidades da cidade grande? Com certeza. Só que isso tudo eu posso ter nas férias, de preferência quando vocês estão na praia, emporcalhando as areias, e deixando a minha cidade natal com um jeito um pouco mais de interior.

Agora vou dormir, bem sossegado, sabendo que não enfrentarei filas quilométricas, nem sinais de trânsito, nem passagens caras de ônibus.

O interior é o paraíso!



segunda-feira, fevereiro 15, 2010

O tão esperado...


Genial, simplesmente genial.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Edward Mãos De Derrame

Essa quem me contou foi um amigo:


Eis que o sujeito era um motorista de ambulância, e como acontece ocasionalmente com todos os motoristas de ambulância, estava precisando de um corte de cabelo no capricho. Sentado na cadeira do cabeleireiro, coberto pela tradicional capa para proteger seu uniforme de motorista de ambulância dos fios de cabelo rejeitados, nosso amigo relaxava enquanto deixava o profissional das tesouras fazer o serviço. Corta aqui, corta ali, picota acolá, e, de repente, mais do que de repente, assustadoramente, o cabeleireiro começa a pender para a esquerda, esbugalhar os olhos, prostra-se e desaba ao chão, tal qual o Cristo Redentor no filme “2010”, toda a cena acompanhada pelo espelho em frente aos dois.

Assustado com a situação, mas sem deixar o seu profissionalismo de lado, o cliente levantou-se mesmo com capa, corte de cabelo mal-acabado, e um fio de cabelo daqueles que teimam em cair na face ou no olho que a gente tenta inutilmente soprar pra longe, e rapidamente socorreu o pobre cabeleireiro desfalecido, jogando-o dentro de sua ambulância e levando-o ao hospital mais próximo.

O cabeleireiro foi atendido e, felizmente, salvo. O diagnóstico foi de um derrame, que se não tivesse sido prontamente socorrido poderia ter lhe causado a morte.

Isso que é um cliente certo na hora certa. Acho que nosso amigo motorista nunca mais vai precisar pagar por um corte de cabelo (ou pelo menos por um período de tempo).

terça-feira, janeiro 12, 2010

Pequenas Merdas da Vida

Tem coisas que só acontecem comigo, definitivamente. Um dia desses, no escritório, o diretor me chama ao seu gabinete para tratar de um assunto de certa urgência. Sabendo do que se tratava, apressei-me em direção à sua sala, e ao passar pela porta da sala de espera consegui a proeza de bater com força o antebraço na maçaneta. Mais precisamente aquela partezinha mole do antebraço (que já anda deveras flácido ultimamente), bem na ponta da maçaneta em formato de alavanca. Elegantemente, segurei o impulso de gritar “filho da #%&*, que dor!!”, com um discreto torcer de lábios, juntamente com 53 músculos faciais, e fiquei disfarçando a dor agonizante de um “tostão” no antebraço durante todo o tempo em que conversava com o chefe, mal prestando atenção no que ele dizia, enquanto massageava a área impactada lenta e disfarçadamente debaixo da mesa.

Mais legal foi o que me aconteceu no dia 24 de dezembro: Véspera de natal, todo aquele clima prévio à ceia, todo mundo vestido pra morrer, e lá fui eu viajar 34 km para buscar minha namorada em uma cidade vizinha. A noite estava muito boa, até que, absolutamente do nada, uma pancada de chuva torrencial desabou sobre o meu pobre Gol. No caminho de volta à minha cidade, já acompanhado da minha cara-metade, tive a felicidade de acertar um buraco na estrada que detonou com um pneu meio careca, e me fez protagonizar a cena de trocar o pneu, todo bem-vestido, e atrasado pra ceia de natal. Acabei sujando o carro e ficando eu também sujo e suado, maravilha! Pelo menos já não chovia mais, embora o mormaço causado pela chuva levantasse do asfalto, me dando a sensação de estar em uma sauna. Uma beleza.

Pra terminar as pequenas merdas da vida, passei o dia no trabalho sem internet, devido a um raio que queimou o servidor. Sem ter acesso a rede mundial dos computadores, não podia fazer muita coisa, senão tentar me distrair. Pensei então em olhar o conteúdo do meu HD externo que sempre trago comigo, recheado de coisas interessantes, e aí percebi que exatamente neste dia eu havia me esquecido de trazê-lo comigo. Podia ter acontecido em qualquer dia. Aconteceu justamente no dia em que eu precisava.

Isso tudo sem falar na virada do ano, quando eu comi demais e bebi demais, e quase não consegui dormir sentindo pontadas e ameaças de ataques fulminantes. Belo começo de ano.

Ultimamente eu tenho percebido que existe uma lei mais certa do que a Lei da Gravidade: a Lei de Murphy. Se eu pego o desgraçado que inventou isso...

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Vini E As Botas


Vou contar uma pequena história de uma pessoa que eu conheço. Geralmente não nos damos conta, mas pessoas ordinárias podem, sem perceber, protagonizar histórias simples e ao mesmo tempo extraordinárias. Essa eu acho bem bacana, e compartilho com vocês, leitorinhos:

O Vini é uma figura peculiar, um cara que ficou meu amigo no colégio e que, mesmo depois de algum tempo sem contato, parecia que havíamos recém conversado quando o reencontrei, de surpresa, na empresa onde eu aguardava por uma entrevista de emprego. Nem sabia que ele trabalhava lá, e foi bacana saber que poderíamos ser colegas novamente.

Felizmente, consegui o emprego, e foi então que fiquei sabendo da história do Vini dentro da empresa. Quando ele foi entrevistado disseram-lhe que não havia vagas no escritório, e que ele só poderia trabalhar se fosse “pegando no pesado”, ao que ele respondeu que apenas queria trabalhar, não importasse como, nem que tivesse que “quebrar pedra sob o sol”. Com essa atitude, obviamente foi admitido, e trabalhando pesado ele foi durante meses.

Devido ao local de trabalho ser uma obra, todos os colaboradores deviam usar EPI (equipamento de proteção individual), que consiste basicamente em capacete, óculos, protetor auricular e... um par de botas. Um belo par de pesadas botas desconfortáveis, as quais Vini engraxava e lustrava cuidadosamente todos os dias. Por conta de seu cuidado e atenção para com as botas, virou motivo de troça entre seus colegas, que diziam entre risadas em tom jocoso: “acha que está trabalhando no escritório é?”, ao que Vini respondia: “quem sabe um dia...”

Ele não levava as piadas a sério, e seguia com seu costume de ficar sempre bem apresentável, mesmo trabalhando em ambiente inóspito.

O interessante dessa história é que, graças à sua competência e vontade de trabalhar, passado algum tempo Vini conseguiu um emprego no escritório, que a princípio era apenas temporário, mas que acabou efetivando-se definitivo. E ele continua lustrando suas botas...


NUNCA DEIXE DE “LUSTRAR SUAS BOTAS”!!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Há males que vêm pro mal



Era pra ser mais um dia normal de trabalho. Era pra ser. Começou mal, com forte chuva acompanhada de fortes ventos, e o céu enegrecido que me fazia ter a sensação de estar indo trabalhar no turno da noite. A noite anterior na faculdade havia me cansado bastante, e foi um pouco difícil de levantar da cama. “Só mais cinco minutos”, pensei eu. Cinco minutos podem fazer a diferença, tanto no sono quanto no atraso. Mas finalmente consegui tomar banho e me arrumar a tempo de sair pra esperar minha carona pro trabalho. Só não tive muito tempo de escolher o guarda-chuva apropriado pra ventania, o que me fez protagonizar a clássica cena ridícula do guarda-chuva virado do avesso no meio da rua (isso aconteceu umas oito vezes até chegar a carona).

Alguns minutos sofrendo com aquele guarda-chuva de R$1,99 na esquina e chega o meu amigo João Marcos, trazendo sua irmã e seu amigo Tiago. Beleza, entrei no carro e demorei até perceber um detalhe, uma coisa assim, quase imperceptível sob chuva torrencial: o limpador de pára-brisa não estava funcionando. Por um momento pensei que o Marquinhos estivesse fazendo aquilo de propósito, porque macho que é macho não usa essas frescuras de limpador de pára-brisa por causa de qualquer chuvinha apocalíptica. Mas, depois que ele deu uns tapas na alavanca que aciona os limpadores e proferiu alguns impropérios, eu deduzi que o negócio estava mesmo estragado. Paramos em outra esquina pra pegar o Gean e o Alexandre, e por causa disso o Marquinhos pediu pra sua irmã ir a pé dali em diante, porque o carro estaria cheio. Cinco machos. Uma chuva forte. Vidros embaçados e limpadores de pára-brisa estragados. E duas bocas malditas.

Não era exatamente uma viagem dos sonhos. A visibilidade caía para próximo de dez por cento quando se engatava a segunda marcha, e o ar abafado dentro do carro só piorava a situação. Marquinhos dirigia com todo o cuidado, intercalando tentativas de limpar o vidro com a mão direita com tentativas de fazer os limpadores funcionarem. Quando chegamos na rodovia a coisa piorou. A velocidade mais alta diminuía a visibilidade, e os caminhões passando e ultrapassando tornavam a viagem mais tensa. Marquinhos estava totalmente concentrado, e, após mais uma tentativa com a alavanca dos limpadores, ele, em um ato de visível desespero, forçava a alavanca com velocidade pra cima e pra baixo, o que obviamente não adiantou em nada, e pior: fez o Tiago dar risada. Nada poderia ter piorado mais a situação. Ao perceber que seu amigo ria-se de seu ato de desespero, Marquinhos proferiu exaltado: “Por Deus, Tiago! Se tu tiver fazendo o que eu penso que tu tá fazendo eu vou te encher de porrada!”. Eu tive que rir também.

A maneira como Marquinhos se orientava na estrada era curiosa: se escutasse o barulho dos pneus atropelando os tachões da direita, ele puxava o carro pra esquerda e vice-versa. Isso o fez dizer algo que nos fez rir: “pareço um bêbado dirigindo”. Pouco depois desse momento “rir pra não chorar” chegamos ao trecho de estrada de terra. “Sempre tem como piorar”, pensei. Pelo menos era mais fácil de distinguir o que era estrada e o que não era, por conta da terra vermelha. Ou da água vermelha, nem se enxergava direito que a estrada estava cheia de pedra solta e água corrente. Fiquei ali, no banco de trás, entre o Tiago e o Gean, este que apenas olhava para fora, como se nem estivesse dentro do carro (talvez se imaginando a bordo de um conversível importado em um dia ensolarado de folga, acompanhado por belas mulheres). Aí as bocas malditas entraram em ação. Primeiro foi o Marcos: “imagina a gente chegar lá, estacionar o carro, e os limpadores começarem a funcionar!”. Rimos. Estávamos quase chegando ao trabalho. Um minuto passou e adivinhe: os limpadores começaram a funcionar. Essa é a verdadeira definição de IRONIA. Depois de passar sufoco a viagem inteira por causa da merda dos limpadores estragados, eles resolvem funcionar poucos metros antes de chegar ao destino. Aí eu falei: “só falta agora o carro apagar!”

Por que eu falei aquilo? Passamos o portão de entrada, paramos numa subidinha para a vistoria de praxe no porta-malas, e... o carro apagou. Numa subida! Depois de passar o portão de entrada! Marquinhos tentava desesperadamente fazer o motor ligar, e nada. Então ele começou a largar o carro de ré em direção a uma descida, tentando fazer o carro pegar no tranco ainda em marcha-ré. Manobra inútil. Tivemos que sair do carro, a chuva ainda forte, e o empurramos para mais uma tentativa. Enquanto o carro descia a lomba, começamos a subir de volta em direção ao portão. Aí escutamos o ruído do motor pegando. Aleluia!! Já havíamos caminhado um bom trecho quando o Marquinhos nos alcançou. Entramos no carro para subir finalmente ao trabalho e... apagou outra vez!! Mais tentativas de pegar no tranco de ré, mais de empurrar o carro ladeira a baixo, mas dessa vez nem pegou mais. Parou no meio da estrada. Subimos novamente a pé enquanto nosso motorista empurrava o carro sob a chuva para um lugar mais seguro.

Chegamos ensopados ao escritório. Contamos a história triste aos colegas e o Vinícius foi buscar o Marquinhos. Bela maneira de começar o dia. Perdemos o café da manhã ainda por cima... que merda. Não deu pra tirar nem uma moral da história, aprender alguma coisa. Há males que vêm pro mal. E molhados.






terça-feira, dezembro 01, 2009

Motivado



Acordei motivado na manhã de terça-feira, para encarar mais um feliz dia de árduo trabalho, mas aí lembrei-me do dinheiro escondido nas excelentíssimas meias e cuecas da vida, e quase não tive vontade de sair de casa...

Sacanagem. Que vontade de ir pra Nova Zelândia.

P.S.: uma punição leve já estaria de bom tamanho, do tipo cortar os pés e as mãos do sujeito e pendurar em praça pública. Não dizem que a história é cíclica? Tá aí uma boa hora para voltarmos ao código de Hamurabi.

terça-feira, novembro 24, 2009

Campanha: um ano sem novelas!


Como eu odeio novelas!
Mas não é qualquer novela, não me entenda mal, por influência das mulheres da minha família assisti a várias novelas quando mais jovem, e lembro-me bem de algumas até hoje. A diferença das novelas que eu odeio para as novelas que eu lembro está puramente na qualidade. Não se fazem mais novelas como "Renascer", cujo início é de arrepiar, e eu faço questão que você lembre do primeiro episódio clicando aqui (se você não estiver afim de gastar muito tempo, pelo menos assista a abertura, computação gráfica pesadíssima para a época). Essa novela é um exemplo de enredo interessante, aliado à interpretação de atores de verdade, e não de ex-BBBs ou ex-modelos ou cantores que não conseguem se contentar com uma fama só.
Até mesmo as novelas que são do gênero "comédia de época que passa no final de tarde" não são tão inteligentes e engraçadas como as de antigamente. Lembro de "Cravo e Canela", humor inteligente com enredo e atores interessantes.

Uma prova do que estou falando é o gráfico do Ibope que vos apresento abaixo:



Sou a favor das manifestações artísticas de qualquer tipo, formato, cor, cheiro, forma, etc... desde que sejam boas. E as novelas não andam boas. Andam depressivas (Aline Moraes tetraplégica é algo extremamente depressivo só de imaginar). Isso que meu único contato com novela é se estou em algum restaurante ou outro lugar em que haja uma televisão sintonizada na novela das oito (nove?).
As novelas resumiram-se a badalações e brigas do núcleo rico, milionário, que vive no Brasil como se estivesse no primeiro mundo, e a travessuras e agruras do núcleo pobre da novela, que vive muito melhor do que qualquer pobre do Brasil, aliás, e vivem sambando e aprontando as maiores confusões, sem preocupações maiores, e apresentando dramas típicos para distrair o povão após um dia de trabalho.

Acho a literatura importante, e as novelas de certa forma aproximam a literatura às pessoas. Mas isso que temos ultimamente é lixo. É ridículo. Não consigo aguentar sequer dez segundos de áudio de novela. Até as novelas mexicanas com o clássico enredo "menina pobre que se apaixona por homem rico e comprometido com megera rica" são melhores que as novelas da Globo.

Portanto, lanço a campanha: UM ANO SEM NOVELAS!

Retirem da televisão essa tortura, ferramenta ridícula de alienação do povo, refúgio de artistas sem talento e plataforma de lançamento de trilhas sonoras de igual calibre.

Que seja exibido algo melhor no lugar, sei lá, maratonas de reprise dos Trapalhões, Família Dinossauro, ou documentários sobre a vida dos monges beneditinos. O ideal mesmo seria deixar o Galvão Bueno ocupar o horário da maneira que ele quisesse, ah, isso seria legal, melhor até que a Zorra Total. Ou acabem com essa merda de televisão e dêem internet banda larga decente pro povo.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Estou a dois passos... do inferno!

AAhh, o litoral! A agradável sensação da maresia que inebria e invade os corações adolescentes! Quem nunca foi tomado pelo espírito do verão, pela ansiedade de colocar os pés na areia da praia, sentir o sol escaldante, pegar jacarezinho e admirar corpos bronzeados desfilando em trajes sumários? Foi imaginando esse cenário que reagi com euforia ao convite de um amigo meu: "que tu acha de a gente ir pro Garota Verão em Capão da Canoa?". Minha cidade finalmente tinha uma bela representante na final desse tradicionalíssimo evento, e apesar de eu nunca ter sequer ouvido falar da tal finalista, me animei a torcer pela desconhecida, já que, dessa forma, poderia ir ao litoral para salvar as férias. Já faz um bom tempo isso, eu tinha 18 anos, mas lembro-me como se fosse ontem (de algumas coisas). A grande novidade daquela época era a visita de um americano na cidade. Todos queriam conhecer e falar com o recém-chegado. E eu confirmei isso na tal viagem, quando levamos ele, Joseph, para conhecer Capão da Canoa. A SAÍDA Chegou a noite marcada para a saída da excursão e estavam todos muito animados na praça, em frente ao ônibus. Os amigos da garota verão estavam eufóricos, trazendo faixas, confetes, serpentinas e, como é de costume na região, muita cerveja e outras bebidas alcoólicas para a viagem. Fomos com a galera do fundão, bebendo, conversando e dando risada, enquanto todo mundo estava curioso por causa do americano. Como eu era um dos únicos a falar inglês fluentemente, todos se dirigiam a mim para que eu traduzisse as perguntas e as respostas. No começo achei bacana, afinal, estava promovendo a integração do nosso amigo estrangeiro com a galera local, e a viagem foi seguindo e todo mundo bebendo... Na metade do caminho, todos emborrachados, rindo e gritando muito, o som de música alta ecoando pelo ônibus, e eu ainda estava fazendo as vezes de intérprete. Só que dessa vez começava a me irritar um pouco, porque os mesmos bêbados faziam a mesma pergunta dezenas de vezes, e ainda terminavam a conversa dizendo alguma merda do tipo "a gente aqui não tem muito dinheiro, mas vive feliz, o importante é ser feliz e blablabla...", mas eu pensava comigo mesmo: "gurizada tá mamada, não tem problema, natural...", e segui bebendo, e traduzindo. Foi nessa viagem que eu experimentei um fenômeno que até então eu desconhecia. De tanto ouvir perguntas em português, beber, traduzir a pergunta para o inglês, beber, traduzir a resposta do inglês para o português, e beber mais ainda, eu já não conseguia mais distinguir se o que eu estava falando era a língua tupiniquim ou o idioma yankee. Começava a falar português com sotaque de americano, e meu inglês soava naturalmente como nunca em minha vida. Batizei esse fenômeno de "Inversão Etílica da Língua Materna", já que naquela altura da viagem eu falava inglês melhor que português (dica para quem vai fazer o TOEFL ou outro teste de proficiência!). Um a um, os borrachos de plantão foram sucumbindo à força do álcool e das muitas horas de viagem e começaram a cair no sono. Mas sempre tem um pentelho que consegue ficar acordado, bebendo e incomodando todo mundo. Pra piorar, ele ficou competindo com o americano pra ver quem bebia mais. E perdeu. A última coisa que eu lembro da viagem de ida é ver o pentelho desmaiando de bêbado e ver o americano dando risada e ainda agarrando uma loira no último banco do ônibus. A CHEGADA Percebi que estávamos chegando quando o ônibus parava constantemente, em meio ao engarrafamento para entrar na cidade. Acordei meio zonzo, meu parceiro de viagem ainda estava dormindo pesadamente, olhei para fora e vi o tempo no litoral gaúcho: uma merda nublada. E pra piorar, muito vento. Fiquei chateado porque não queria que o Joseph tivesse uma primeira impressão ruim das praias brasileiras, mas daí lembrei que praia gaúcha não pode ser considerada praia brasileira e resolvi relaxar, afinal, até ocupado ele estava. Descemos do ônibus e fizemos uma rápida caminhada de umas nove quadras até chegar ao mar. Pensei que o tempo horrível pudesse ser compensado pela beleza da cidade, mas qual foi a minha surpresa ao ver a bela Capão da Canoa imunda, esgoto e lixo nas ruas do centro. O cenário era desanimador. E a ressaca também. Sentamos em algumas cadeiras no calçadão e ficamos ali pensando em beber alguma coisa. Eu não iria encarar mais álcool, mas o americano guerreiro levantou-se e, sem falar uma palavra, fez um pedido através de muita mímica à uma mulher de um quiosque próximo. Prontamente, ela atendeu ao seu pedido e puxou uma garrafa de Brahma. Fiquei pensando: "americano fdp, bebeu pra caralho e ainda vai tomar mais cerveja agora?". Ao ver a garrafa de Brahma, nosso intrépido gringo fez sinais de negativo com as mãos. Então, a atendente guardou a garrafa de Brahma, e puxou, triunfante, uma Brahma Extra. Pensei de novo: "desgraçado vai tomar cerveja extra ainda!". Joseph fez um sinal de "espera" com a mão e veio até a mim, pedindo em inglês: "cara, me ajuda ali, estou tentando pedir milho verde e ela só oferece cerveja!". Aí a gente teve que dar risada. Mas ao mesmo tempo admirei a coragem do rapaz. O EVENTO Aglomeração total próximo a plataforma de desfiles. Muitas câmeras de televisão, cartazes, gente gritando e buzinando, uma festa. Nos aproximamos da torcida da nossa cidade, e ficamos ali fazendo volume. Não tínhamos nada para ajudar na torcida, e foi aí que tivemos a idéia de juntar os papéis e confetes que estavam no chão, e atirá-los novamente ao ar, dando aquele efeito na hora que a câmera nos filmasse. E começamos a juntar aquilo tudo e jogar ao ar, como uns bobos. Era uma diversão. Aos poucos, e na pressa, ao juntar os papéis juntávamos alguma areia junto. E foi aí que percebemos como era divertido jogar areia na cabeça das pessoas com o pretexto do agito. Juntávamos uma proporção de 70% de areia com 30% de papéis e lançávamos aquele bolo ao ar, cuidando qual cabeça seria a premiada. Demais. Nem lembro de ter visto a moça desfilar. E se vi, não sabia quem era. Só sei que perdeu. O desfile terminou e ficamos vagando por aquela praia suja, nublada e fria, morrendo de fome. Encontramos uma barraquinha onde comi o melhor xis-camarão da minha vida. E voltamos ao ônibus para enfrentar a viagem de volta. A VIAGEM DE VOLTA Após entrarmos no nosso ônibus, ficamos esperando o cara que se atrasou. Sempre tem um cara que se atrasa. Ficamos parados ali, naquela tortura, enquanto não chegava o infeliz. Passou acho que quase uma hora até que alguém conseguiu descobrir que o desgraçado tinha conseguido entrar no ônibus errado, que pra sorte dele, ia pra alguma cidade da região. Pensei: "beleza, agora é hora de descansar um pouco e dormir". Ledo engano. Sempre tem um borracho que consegue resistir e continua bebendo. Esse era o único. E incomodava por uns trinta. Eu estava sentado na poltrona do corredor, e aquele chato ficou o tempo todo ao meu lado, em pé, se debatendo e gritando no meu ouvido, e eu nada de conseguir dormir. Comentei com meu amigo ao lado "cara, esse loco tá enchendo a minha paciência!", ao que pude comprovar a grande amizade que tinha com ele, quando ele propôs: "quer trocar de lugar?". Claro que troquei, e fiquei quietinho ali na janela, tentando dormir. Só que o bêbado continuou a incomodar... Quando você tem um pentelho ao lado de uma pessoa normal, geralmente o pentelho consegue incomodar plenamente até esgotar a paciência da pessoa normal. Experimente colocar então um pentelho por natureza, ao lado de um bêbado pentelho. Foi o que aconteceu com a troca. O bêbado esbarrava no meu amigo, e ele lhe desferia um cotovelasso junto com xingões. E assim foi boa parte da viagem, com os dois se "inter-pentelhando" e eu pude descansar um pouco. Lembro de ter visto o bêbado atravessar o ônibus com as calças abaixadas e gritando algo do tipo: "Peeelooos poderes de gay-que-sou!! Eu queeimo a roosca!!". Que inferno. CHEGANDO EM CASA Após uma viagem interminável, o ônibus para em frente a casa do idiota que pegou o ônibus errado pra avisar de sua façanha. O filho-da-mãe já havia chegado, e ria da nossa cara. Como eu sou um cara pacifista, contive meus impulsos de descer do bus e arrastar a cara dele no calçamento. Chegamos perto das sete horas da manhã, eu acho. Eu tinha areia nos ouvidos, no cabelo, até na cueca. Sentia-me um lixo. Caminhei da praça até minha casa, o que me pareceu mais demorado que as nove quadras para chegar ao mar. Tomei um banho e desmaiei na cama, pensando: "nunca mais na minha vida eu faço uma viagem dessas". Quando será que vai ter outra dessas??

quarta-feira, novembro 04, 2009

Mulheres vencidas, jamais serão unidas




Existe uma grande competição acontecendo. Acontece neste exato momento, 24 horas por dia, 365 dias por ano e 366 dias nos anos bissextos. Essa mesma competição começou há anos, mais ou menos pelos anos 70, e acirrou-se no final dos anos 90 e só cresce em competitividade desde então. Estou falando, é claro, da Competição Mundial de Mulheres.

Mulheres competem o tempo inteiro entre elas mesmas. Algumas chegam ao cúmulo de passar horas em institutos de beleza, gastar muito dinheiro em roupas, comer pouco e comprar AB-shapers e calças anti-celulites, tudo isso só para obter vantagem sobre as competidoras. Mas o maior triunfo que uma mulher pode ostentar nesta cruel e vil batalha resume-se em um anel dourado em sua mão, o símbolo do casamento.

O casamento nada mais é que um "nível" avançado, que demonstra que a competidora teve as habilidades e atributos necessários para fazer com que um homem (mero acessório que pode tanto contribuir quanto arruinar com a competição) aceitasse estar sujeito às suas diversas alterações de humor, aos desejos (principalmente materiais) e que concordasse em aceitar os efeitos do tempo, que manifestam-se rapidamente sobre as mulheres, sem reclamar (para ela). A maior humilhação para uma mulher derrotada na Competição Mundial de Mulheres é receber o rótulo de "solteirona" e "ficou pra titia". É pior que a morte.

As participantes dessa competição raramente fazem amizade com outras competidoras. Principalmente se trabalham juntas. Mas claro, uma boa jogadora deve ter a capacidade de fazer com que as adversárias a considerem uma ótima "amiiigaaa", troquem beijos distantes na bochecha e troquem muita informação sobre quaisquer desafiantes (fofoca). Desnecessário dizer, punhaladas pelas costas, difamação e exposição pública são armas muito usadas, principalmente pelas novatas, que ainda estão longe do nível das casadas.

Com o passar do tempo, o espírito competitivo da mulher vai esmorecendo, aí então ela sente-se vitoriosa, quando na verdade deve estar perdendo feio a disputa para mulheres mais jovens.

Enquanto as mulheres ficam digladiando, enfraquecem-se, permitindo aos homens dominarem os cargos importantes nas empresas e na política, ditarem as tendências da moda que sustenta a disputa, e enriquecerem às custas das mulheres, que estão concentradas demais para perceber que estão levando chifres e mais chifres de seus homens, e só pensam em como vão arrasar as colegas na festa da empresa desfilando com aquele par de sapatos novos.

Os próximos posts também serão sobre essa criatura interessante, a mulher.

terça-feira, novembro 03, 2009

De volta das cinzas parte II

Após quase um ano sem escrever no blog, e não havendo recebido reclamação nenhuma por parte de ninguém, cheguei à com crase conclusão de que a maioria das visitas que o Google Analytics me mostra são cliques acidentais, alguns pedófilos atraídos por palavras do tipo "infância", "gostoso" e "lubrificante", suicidas e pessoas em depressão ascendente (engraçado, né? Depressão... ascendente...) ou simplesmente gente com absoluta falta do que fazer.

É claro que eu planejei voltar com uma reformulação total de layout, conteúdo e updates mais frequentes, mas desisti de tudo assim que sentei em frente ao laptop em minha casa após passar quase 12 horas na frente de um computador no trabalho.

Sinta-se feliz por estar lendo algo escrito por um "peão de escritório". É realmente uma prova da força de vontade do ser humano e de que, sim, você também pode largar o cigarro!

Tenho uma série de assuntos para dissecar aqui no blog, sempre daquela maneira pedante de quem acha que está sempre certo, sabendo ao mesmo tempo que está completamente errado, mas que não liga a mínima para o que VOCÊ está pensando (por favor, comentem!!!!).

Fiquem ligados, leitorinhos, em breve muita coisa boa vai rolar por aqui, inclusive aqueles vídeos rídiculos do degas aqui achando que sabe compor música, e muito pior, tocar e cantar ao mesmo tempo.

Cya!

sexta-feira, setembro 12, 2008

A verdade sobre o choque do Lasier Martins

Ele não levou um choque, foi teletransportado:


sexta-feira, agosto 22, 2008

Futebol Feminino É Coisa Pra Macho!


Madruguei às 10h da manhã para assistir à final do futebol feminino nos Jogos Olímpicos, já que o futebol masculino foi aquela decepção do tamanho do salário do Dunga, que eu prefiro nem comentar. A princípio fiquei encantado com a maneira de jogar da seleção. As meninas fizeram uma boa marcação homem-a-homem, e as enfiadas de bola encaixaram bem às costas das atacantes. Mas depois dessa piadinha infame, elas começaram a se cansar. O nosso incrível Galvão Bueno falou ao final do jogo que o resultado tinha sido injusto porque o Brasil jogou melhor o tempo todo. Não concordo. Os EUA deram uma aula de estratégia ao Brasil. Era lógico que as brasileiras estavam embaladas por causa da goleada em cima da Alemanha campeã do mundo, e vinham com tudo pra final olímpica buscando a revanche da prata de Atenas. Sabendo disso, as americanas se dispuseram a segurar o Brasil o máximo possível, e assim, esgotar fisicamente as adversárias. Conseguiram. As brasileiras se arrastavam na prorrogação. Levamos o gol e ainda uma bola na trave. A goleira americana além de ser muito bonita era uma muralha. Enfim, as gringas mereceram, e só nos resta elogiar a bravura da Marta, que lutava em todas as jogadas, elogiar a Cristiane, a Formiga, a Bárbara, que fez grandes defesas, e a Erika, comandando a defesa fazendo papel de líbero.
Elas demonstraram garra o tempo todo, e deram um exemplo para os homens. Aliás, sabem qual é a diferença entre as seleções de futebol masculino e a feminina? É que as mulheres tiram o salto alto antes de entrar em campo.

Parabéns pela medalha de prata, meninas. Jogaram muito.

Mas eu gostaria de ressaltar mesmo é o seguinte: como é muito MELHOR de assistir ao futebol feminino do que ao masculino. A começar justamente porque elas são mulheres. Eu, sendo homem, prefiro muito mais olhar 20 mulheres atrás de uma bola a 20 machos peludos cuspindo no gramado. As mulheres, por não terem tanta força física, fazem jogadas mais bonitas de se ver. Elas dão ótimos passes, driblam MUITO, e sai cada golaço daqueles que a gente só vê de vez em quando, tipo quando o Alex marca pelo Colorado. Minha opinião é que os clubes de futebol brasileiros sejam obrigados a ter uma equipe feminina. E que um campeonato brasileiro de futebol feminino seja criado. Mas um campeonato de verdade. Parece que existe um, mas ninguém nunca viu. Elas merecem, muito mais do que os homens. Seria lindo ver um gre-nal feminino, já pensou? Ia sair puxão de cabelo e arranhão pra tudo que era lado.

E pra provar que eu não menti sobre a goleira dos EUA (e pra deixar o blog menos feio) vai aí uma foto da cidadã, Hope Solo, goleirassa:


P.S.: Agora lembrei-me que o Internacional tem um time feminino. Assim como várias outras equipes do Brasil. O problema continua sendo a não-existência de um campeonato brasileiro organizado, já que o futebol feminino sofre pra arranjar patrocínios neste país machista. Uma pena...

domingo, agosto 10, 2008

Energia que dá gosto




Um dia desses depois de um almoço, peguei uma bergamota (mexerica, tangerina...) e fui pro sol "lagartear". Que coisa bem boa. Descascar lentamente a fruta aproveitando cada segundo do calor solar que fatalmente acabará um dia devido ao fim das reservas de hidrogênio, exterminando qualquer forma de vida na Terra, mas isso não vem ao caso, onde eu estava mesmo? Ah, é, na bergamota. Foi então que comecei a escutar gritos e risos de criança vindos do quintal vizinho, e olhei em sua direção. Era um grupo de quatro crianças, com menos de 10 anos provavelmente, que jogavam bola. Jogavam bola, não futebol. Bola. Era uma bola gigante, tipo aquelas que o Quico do Chaves volta e meia aparecia quicando. É impressionante como uma bola daquelas pode ser uma fonte inesgotável de diversão. Acho que vou comprar uma bola gigante pras horas de depressão, vai ser só chutar ela na cabeça de uma criança para espantar o mau-humor.
Mas o que me impressionou realmente era como aquela gurizada não cansava nunca. Parecia que podiam passar dias correndo atrás da bola, e eu fiquei pensando se ainda lembrava da época em que me sobrava energia. E, de fato, ainda lembro. Lembro-me como andava de bicicleta um dia inteiro e ainda sobrava fôlego pra jogar um futebolzinho no final da tarde. Lembro-me que subia em árvores com agilidade e leveza, e alcançava os galhos mais altos. Podia fazer uma viagem de 500km e chegar louco de vontade de jogar bola. Bons tempos de criança...
Mas também lembro quando essa energia começou a se dissipar. Começava a sentir cansaço, coisa inédita. Viajar se tornara uma atividade cansativa. A frase "tô cansado da viagem", que antigamente eu considerava uma desculpa esfarrapada dos adultos pra não darem atenção pras crianças, começou a fazer parte do meu vocabulário. Aí os joelhos se estragaram, e agora é só morro abaixo.
O peso do sedentarismo cai sobre minhas costas. Acho que não consigo correr mais que cinco minutos sem quase ter um infarto. Nem todo o redbull do mundo pode trazer aquela energia misteriosa a qual carregam as crianças.
Acho que o Casimiro de Abreu pode explicar melhor esse saudosismo tão precoce de minha parte:

Meus oito anos

Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

h ! dias da minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

quinta-feira, março 13, 2008

Terra: planeta Reality Show


Tanta gente diferente no mundo. Quero dizer, diferente até demais, sabe? Acho que ninguém soube explicar direito como que um macaco que evoluiu da África em míseros duzentos mil anos conseguiu se multiplicar tanto e se diferenciar tanto. E quando falo diferenciar, incluo tudo: raça, cultura, idioma e seu alfabeto e religiosidade. Como pode existir gente tão branca como os escandinavos e gente tão negra como os africanos tutsis e hutus, por exemplo? Ou gente de olhos puxados, de onde veio isso? Por que eles têm olhos puxados? Enfim, tantos traços, tantas cores, tanta diferença genética.

Sem falar nos idiomas. Compare o russo, o japonês, o mandarim, o grego, o hebraico e qualquer idioma ocidental, vamos pegar o português como exemplo. Cada um tem seu alfabeto próprio, alguns até se lê de trás pra frente! Isso não pode ter surgido assim do nada.

Tá, eu sei que é um pensamento até tosco se preocupar com isso, crise existencial, existem teorias, blábláblá. Mas o fato é que estou começando a concordar com a teoria de South Park (episódio quatro da sétima temporada) que fala que o planeta Terra é na verdade um grande reality show, organizado por uma rede de TV alienígena que juntou várias espécies de vários planetas diferentes e colocou todas na Terra para ver o que acontecia. "Great TV!"



Mas é óbvio! Só pode ser isso, todo reality show tem que ter intrigas, brigas e desentendimentos para ter graça, e disso a Terra está cheia. Nós somos famosos, estamos na televisão! E de outro planeta!!

Mais Um Retorno


Bom, como ninguém mais deve acompanhar meu blog devido ao descaso do autor pelo presente meio, e levando em conta que a média de postagens estava em uma por mês, vou lançar agora uma série de postagens para compensar o tempo que passei sem escrever nada. A começar por esta que está acabando agora.

quinta-feira, novembro 29, 2007

O Descobrimento do Brasil

Depois de tantos anos, as letras de Renato Russo e a Legião Urbana continuam sendo atuais... e inesquecíveis. Vale lembrar essa aqui: